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Michel Temer no banco dos réus por financiamento ilegal na campanha eleitoral

Ueslei Marcelino

O presidente brasileiro começa a ser julgado amanhã, terça-feira, no Supremo Tribunal Eleitoral (TSE). O juiz presidente diz que o julgamento fica concluído em junho e a defesa de Temer ataca o PGR, Rodrigo Janot.

Michel Temer e Dilma Rousseff começam esta terça-feira a serem julgados por irregularidades na campanha que os ajudou a eleger em 2014. O juis Herman Benjamin, relator do processo no Tribunal Supremo Eleitoral, já disse publicamente que vai votar pela destituição da dupla Dilma-Temer, o que na prática significará que Michel Temer deverá ser afastado da Presidência e a presidente destituída, Dilma Rousseff, ficará proibida de concorrer a qualquer cargo público nos próximos oito anos. Ironia do destino, esta ação foi movida pelo PSDB, hoje o principal aliado do PMDB de Michel Temer.

Em causa está a obtenção de fundos ilegais para o financiamento da campanha eleitoral de 2014, motivo idêntico que já valeu a Michel Temer uma condenação em 2016 no Tribunal Eleitoral de São Paulo e pela qual está inelegível para cargos públicos durante oito anos.

Quando na sexta-feira passada o clima político parecia estar a ficar um pouco mais favorável a Temer – com “barões” do PSDB como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin a segurarem fações dos Tucanos (nome pelo qual são conhecidos os militantes do PSDB) que querem deixar o Governo, o presidente brasileiro sofreu mais um rude golpe este sábado. O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a prisão do deputado Rocha Loures, o “homem da mala” filmado pela Polícia Federal a transportar dinheiro para subornos no âmbito da denúncia da JBS que colocou Temer no centro do furacão. No despacho que confirma a prisão, o juiz relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, considera “gravíssima” a conduta de Rodrigo Rocha Loures, amigo, assessor pessoal e homem da “mais estrita confiança” do presidente.

Ainda na sexta-feira passada, em entrevista à “Isto é”, Temer salientava a “boa índole”de Rocha Loures e que seria incapaz de o denunciar para obter redução de pena. O fim de semana ficou ainda marcado por novas revelações da denúncia da JBS sobre um coronel próximo de Temer e pela antecipação do eventual acordo de delação premiada de um operador de subornos que cita Temer 12 vezes.

Daí que os advogados de Temer tenham optado logo no dia seguinte à prisão de Loures para ensaiar uma estratégia que passa pelo ataque ao Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Alegam que o PGR quer constranger o coletivo de juízes do Tribunal Superior Eleitoral e que venham a ser divulgadas mais escutas comprometedoras para o presidente. “Temos indícios de que virão movimentos e iniciativas de Janot em vésperas do julgamento no TSE, na tentativa de constranger o tribunal a condenar o presidente”, disse à “Folha de São Paulo”, o advogado Gustavo Guedes. A defesa de Temer considera também que também o Edson Fachin – que confirmou a prisão de Loures – está também a querer denegrir o presidente.

  • Presidente brasileiro vive terça-feira negra

    Interrogatório pela Polícia Federal, manutenção do principal crítico como líder de bancada do PMDB e uma troca falhada de ministros para proteger o “homem da mala” são alguns dos principais revezes sofridos por Michel Temer, a uma semana de enfrentar a justiça eleitoral.