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Internacional

FARC ameaçam adiar desmobilização após detenção de um ex-rebelde

Rodrigo Londoño, mais conhecido como Timoleón Jiménez ou Timochenko, é chefe das FARC desde 2011

LUIS ACOSTA

Presidente Juan Manuel Santos garante que “confusão” na captura já está a ser resolvida. Após a extensão do prazo previsto no acordo de paz de 2016, guerrilha tem até 20 de junho para depor todas as armas

O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Rodrigo Londoño, disse este domingo que está a “considerar” adiar a deposição de armas pelo grupo rebelde após a captura de um ex-guerrilheiro que estava a participar nos esforços de implementação do acordo de paz alcançado com o governo colombiano no final de 2016. “Perante a captura de Yimmi Ríos, que está [envolvido] nas tarefas de implementação [do acordo de paz], estou a considerar o adiamento (da) entrega de armas”, disse no Twitter.

Em reação às declarações de Londoño, mais conhecido Timoleón Jiménez ou 'Timochenko', o Presidente da Colômbia disse que houve "confusão" na operação das autoridades que conduziu à detenção de Ríos e que o problema já está a ser resolvido. "Houve confusão de identidades e dos trâmites burocráticos, assim me disse o diretor da polícia [Jorge] Nieto, algo que está em vias de ser resolvido. O governo mantém o seu calendário [para o processo de paz], esse compromisso será cumprido", declarou Juan Manuel Santos em comunicado, após um encontro do conselho de segurança colombiano em Cartagena, no norte do país.

A versão avançada pelo governo foi sustentada pelo Alto Comissariado para a Paz, que ontem confirmou que o ex-guerrilheiro "foi efetivamente preso de manhã". Ríos "era alvo de um mandado de detenção que foi suspenso por diretiva presidencial", mas no qual era identificado pelo seu "nome de código da organização e não pelo seu nome real", explicou o gabinete. "Neste momento está numa audiência de custódia para que a Justiça possa esclarecer que se trata da mesma pessoa."

Ríos está em Bogotá há dois meses a “realizar tarefas próprias do processo de paz com o objetivo de consolidar as listas dos membros das FARC que vão fazer passar à legalidade”, confirmou o governo no site da presidência. O chefe das FARC ainda não reagiu ao esclarecimento oficial.

Sob o atual acordo de paz, alcançado no final do ano passado para pôr fim a mais de 50 anos de um conflito que provocou mais de 260 mil mortos e mais de seis milhões deslocados internos, os rebeldes das FARC tinham até este fim de semana para concluir a entrega de armas.

Na semana passada, esse prazo foi prorrogado por 20 dias, até 20 de junho. No rescaldo da detenção de Ríos, Timochenko disse que ia pedir "monitorização internacional" do processo de paz, para evitar mais detenções contrárias ao acordo que valeu a Juan Manuel Santos o Nobel da Paz 2016.