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Internacional

Cinco nações árabes cortam relações diplomáticas com o Qatar

Francois Nel

Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos e Egito acusam as autoridades qataris de estarem a patrocinar grupos terroristas como o Daesh. Governo do Iémen está alinhado com os restantes

A Arábia Saudita, o Egito, o Bahrain e os Emirados Árabes Unidos anunciaram a suspensão das relações diplomáticas com o Qatar, acusando o país de estar por trás da desestabilização da região. Os três países do Golfo mais o Egito, aos quais se juntou o governo sunita do Iémen, dizem que as autoridades qataris estão a patrocinar grupos terroristas, entre eles o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

Esta segunda-feira de manhã, a agência noticiosa saudita SPA avançou que Riade acabou de encerrar as suas fronteiras, cortando as passagens terrestre, marítima e aérea com o Qatar e deixando o país em larga medida isolado. À agência, fontes oficiais não-identificadas explicaram que a decisão tem como objetivo "garantir a segurança nacional face aos perigos do terrorismo e do extremismo".

O passo sem precedentes representa o mais sério corte de relações até hoje entre os poderosos países do Golfo, que são aliados dos Estados Unidos, e surge duas semanas depois de cada uma das quatro nações ter decidido bloquear o acesso a sites de notícias qataris — no rescaldo de declarações controversas do emir do Qatar, Sheikh Tamim bin Hamad al-Thani, em que critica a Arábia Saudita, terem surgido online. O governo qatari garante que se tratam de "notícias falsas" decorrentes de "cibercrime vergonhoso".

Os EAU deram aos diplomatas qataris 48 horas para abandonarem o país, com Abu Dhabi a acusar formalmente Doha de "apoiar, financiar e abraçar o terrorismo, o extremismo e organizações sectárias", lê-se num artigo da agência dos Emirados, a WAM. A companhia aérea estatal dos Emiradors, a Etihad Airways, já anunciou que vai suspender todos os voos de e para Doha a partir das 2h45 locais de terça-feira.

Em linha com as restantes, a agência noticiosa do Bahrain confirmou esta segunda-feira de manhã que o governo vai cortar relações com o Qatar por este estar "a abalar a segurança e a estabilidade do Bahrain e a intrometer-se nos seus assuntos internos". A partir de Sidney, onde está numa visita oficial, o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, pediu a todos os envolvidos que resolvam as suas diferenças através do diálogo.

Tudo isto acontece depois de a coligação árabe liderada pela Arábia Saudita, responsável por uma campanha de bombardeamentos aéreos no Iémen contra os rebeldes xiitas Hutis, ter expulsado o Qatar dessa aliança pelo que diz serem "práticas que reforçam o terrorismo" e pelo alegado apoio de Doha a grupos extremistas "incluindo a Al-Qaeda e o Daesh, bem como a milícias rebeldes", refere a SPA.

Desde o início da ofensiva aérea no Iémen, lançada na sequência do conflito entre o governo sunita e os rebeldes xiitas que estalou em março de 2015, o Qatar já providenciou aviões de guerra à coligação para conduzir ataques contra os rebeldes Hutis.

A Al-Jazeera avançou no domingo que emails do embaixador dos Emirados Árabes Unidos nos EUA mostram que "há uma conspiração contra o Qatar" em curso no Golfo, alegações que são exploradas no mais recente episódio do programa de reportagens "Inside Story".

Citado pelo canal qatari, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país, que vai acolher o Mundial de Futebol em 2022, disse em comunicado que lamenta as decisões dos parceiros árabes, que considera "desnecessárias". "As medidas são injustificáveis e baseadas em alegações e acusações sem qualquer base factual", garantiu o governo qatari. No mesmo comunicado, o MNE diz que a tomada de posição pelas nações do Golfo e o Egito "não afeta as vidas normais dos cidadãos e residentes" no Qatar. "O objetivo é claro, querem impôr a sua tutela ao Estado. Isto, por si só, é uma violação da soberania [do Qatar] enquanto Estado."