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Atentados de Londres. Polícia confisca “enorme quantidade” de material forense em buscas

CHRIS J RATCLIFFE /AFP / Getty Images

Polícia metropolitana diz que conhece identidades dos três principais suspeitos e que os nomes serão revelados “assim que for operacionalmente possível”. Há buscas a decorrer esta segunda-feira de manhã a leste de Londres, numa casa em Newham e noutra em Barking. Doze pessoas já foram detidas e uma foi libertada sem acusações formais

A equipa responsável por investigar os ataques que abalaram a capital londrina no sábado à noite, saldando-se em sete mortos e 48 feridos e que foram reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), diz que conhece as identidades dos três principais suspeitos e que vai revelar os seus nomes "assim que for operacionalmente possível".

Esta segunda-feira de manhã, a polícia metropolitana está a conduzir buscas a duas residências nos subúrbios leste de Londres, uma em Newham e outra em Barking, tendo já confiscado uma "enorme quantidade" de material forense relevante para a investigação em curso sobre os ataques de sábado à noite — quando, pouco antes das 22h locais (mesma hora em Lisboa), uma carrinha abalroou pedestres na ponte de Londres antes de os homens que seguiam a bordo saírem e esfaquearem uma série de transeuntes no mercado de Borough. Os três suspeitos foram abatidos pela polícia no local.

Neste momento, a Scotland Yard já deteve 12 pessoas numa operação em Barking onde se crê que um dos suspeitos vivia. Dessas, um homem de 55 anos foi libertado sem acusações formais. Durante as buscas naquela cidade, as autoridades confiscaram "uma enorme quantidade" de material forense. A polícia está a tentar apurar se os suspeitos estavam a colaborar com alguma rede. Entretanto, a circulação na ponte de Londres e nas estações de metro foi retomada esta manhã, com os serviços nacionais ferroviários a dizerem que a polícia decidiu autorizar o acesso à área mais cedo do que o antecipado.

Os media locais estão a avançar esta manhã que duas pessoas tinham alertado as autoridades sobre o comportamento de um dos suspeitos não há muito tempo, com um homem não-identificado a dizer à BBC que as visões desse suspeito se foram extremando nos últimos dois anos. "Falámos sobre um ataque particular acontecer e, como com a maioria dos radicais, ele tinha uma justificação para fazer o que quer que fosse. Foi nesse dia que me apercebi de que tinha de contactar as autoridades." A fonte diz que, depois disso, nada aconteceu. "Eu fiz a minha parte mas as autoridades não fizeram a sua."

Aos jornalistas, o comissário da polícia Mark Rowley explicou que neste momento há 36 pessoas no hospital "com uma série de ferimentos", 21 delas em estado crítico. Quatro dos feridos são agentes da polícia que tentaram travar o ataque, com dois deles internados em estado grave. Entretanto, o primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, confirmou que quatro cidadãos do país integram a lista de vítimas.

Esta segunda-feira, a primeira-ministra britânica Theresa May vai presidir a uma reunião de emergência da Cobra, a comissão de contingências civis do governo, antes de se cumprir um minuto de silêncio, às 11h, em homenagem às vítimas dos atentados. Entre os mortos conta-se um cidadão francês, com outros sete nacionais feridos, incluindo quatro com ferimentos sérios. De acordo com informações avançadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Yves Le Drian, um nono francês continua desaparecido desde sábado à noite.

Testemunhas têm estado a relatar como, no sábado à noite, uma carrinha Renault branca atingiu pedestres em alta velocidade na ponte de Londres, antes de se despistar perto de um pub em Barrowboy and Banker; aí, os três atacantes apunhalaram várias pessoas num mercado. Rowley diz que a carrinha tinha acabado de ser alugada por um dos suspeitos.

Este é o terceiro ataque a ter lugar no Reino Unido em apenas três meses, depois de um abalroamento e esfaqueamento na ponte de Westminster, em março, que se saldou em cinco mortos, e de um ataque suicida há menos de duas semanas no final do concerto de Ariana Grande na Arena de Manchester, em que 22 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas.

No rescaldo de uma primeira reunião da Cobra, May sublinhou ontem que "é altura de dizer basta" e que os recentes acontecimentos marcam o fim da "tolerância" do Reino Unido com o extremismo. Depois de terem sido suspensas logo a seguir ao ataque, esta segunda-feira as campanhas eleitorais serão retomadas pelos partidos políticos, quando faltam apenas quatro dias para as legislativas antecipadas convocadas por May em abril. A primeira-ministra já confirmou que as eleições vão decorrer na quinta-feira como previsto.

Este domingo, num discurso a apoiantes, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, que antes deste ataque tinha surgido pela primeira vez à frente numa sondagem de intenção de voto, deu o seu apoio à polícia para que use "toda a força necessária" para salvar vidas. O autarca de Londres, Sadiq Khan, garantiu por sua vez que a capital continua a ser "a cidade global mais segura" e que os londrinos não vão rebaixar-se ao terrorismo.