Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

As vítimas do ataque em Londres

FLores e mensagens de apoio às vítimas perto de Borough Market

PETER NICHOLLS / REUTERS

A canadiana Christine Archibald, de 30 anos, estava a passear com o noivo no sábado à noite na Ponte de Londres quando foi atropelada pela carrinha conduzida por um terrorista. Segundo a família, a jovem morreu nos braços do namorado

Duas das sete vítimas mortais do ataque de Londres já foram identificadas: trata-se de uma cidadã canadiana e de um cidadão francês. Ao mesmo tempo, começam também a ser conhecidas as nacionalidades de alguns dos feridos, que são oriundos do Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, Austrália e Nova Zelândia. Todos estavam no local errado à hora errada.

Christine Archibald, de 30 anos, estava a passear com o noivo no sábado à noite na Ponte de Londres, quando ela – que seguia mais à frente – foi surpreendida pela carrinha conduzida por um terrorista a cerca de 80 km/h. Segundo a família, a jovem canadiana morreu nos braços do noivo, Tyler Ferguson.

Ambos estavam a viver em Haia, na Holanda, onde pretendiam construir família. Natural da Colúmbia Britânica, Christine trabalhara antes num campo de refugiados na cidade de Calgary, no Canadá. Há poucos meses, o casal tinha oficializado o noivado e estava em Londres a passar o fim de semana.

“Ela tinha espaço no coração para todos e acreditava que todas as pessoas tinham que ser respeitadas e valorizadas. Viveu sempre de acordo com as suas crenças, trabalhando num campo de refugiados até se mudar para a Europa para acompanhar o namorado. Ela nunca compreenderia a tamanha crueldade que causou a sua morte”, declara a família em comunicado citado pela BBC.

O primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau já lamentou a morte da cidadã canadiana e espera que os londrinos demonstrem mais uma vez “força” e “resiliência”. Depois de Westminster (Londres) e Manchester, “desta vez não será diferente”, conclui.

Empregado de restaurante entre as vítimas

A outra vítima mortal já conhecida é um indivíduo francês, de 27 anos. Alexander estava a trabalhar num restaurante do Borough Market, que foi invadido pelos terroristas. Alguns clientes e funcionários conseguiram escapar, mas Alexander não. Nascido em Saint-Malo, no noroeste de França, o empregado do bistrô estava a viver há dois anos e meio na capital britânica.

“Vi um cliente a ser morto à minha frente. Encarei o terrorista a poucos metros e percebi o ódio nos seus olhos. Felizmente consegui escapar, mas o meu amigo Alexander não teve a mesma sorte. Acabou por ser esfaqueado no pescoço”, explica Vincent Le Berre, outro empregado do mesmo restaurante, ao jornal “Le Telegramme”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês confirmou ainda que sete cidadãos franceses foram feridos no ataque, quatro dos quais em estado grave. Há ainda um outro que se encontra desaparecido.

Cicatriz com sete polegadas

O britânico Daniel O'Neill, de 23 anos, estava também no local errado à hora errada. Foi surpreendido por um atacante quando se encontrava no exterior de um bar junto ao Borough Market. Segundo contou a mãe à BBC, um dos terroristas correu atrás do filho e gritou 'Isto é pela minha família, isto é pelo Islão', antes de esfaqueá-lo.

Nesta altura, o jovem britânico encontra-se internado num hospital da cidade, apresentando uma “cicatriz de sete polegadas que vai desde a barriga até às costas”. Elizabeth O'Neill diz que o filho continua em choque e não consegue ainda acreditar no que aconteceu.

Os neozelandeses Oliver Dowling e Marie Bondeville, de 32 anos, foram também esfaqueados por um terrorista no passado sábado. O casal natural de Christchurch, na Nova Zelândia, foram sujeitos a longas intervenções cirúrgicas no Hospital da Universidade de Londres. A irmã de Oliver escreveu num post no Facebook que a sorte do seu irmão foi o terrorista não ter atingido com a faca nenhum órgão vital.

A australiana Candice Hedge, de 31 anos, estava a trabalhar num bar com o namorado no Borough Market. Quando se apercebeu do que se passava tentou esconder-se, mas não foi a tempo. Um terrorista apanhou-a e feriu-a na garganta com uma faca.

“Olá a todos, só para saberem que estou ok. Tenho um pouco de dores, mas irei sobreviver. Obrigada pelos vossos pensamentos e votos de rápida recuperação. Adoro-vos”, declarou a vítima.

O londrino Roy Larner ainda tentou afastar os terroristas das pessoas à sua volta, mas acabou por ser atingido com cinco facadas na cabeça, costas, pescoço, ventre e dedos. Foi operado de urgência no Hospital Universitário de Londres, mas continua nos cuidados intensivos.

Técnicas marciais para travar terroristas

Uma outra vítima dos terroristas, o jornalista Geoff Ho, editor de negócios do “Sunday Express”, recorreu às artes marciais para tentar travar os terroristas. Praticante de kung fu e kickboxing, Ho usou várias técnicas para conseguir o impossível.

“Ele é de facto um artista das artes marciais e não me surpreende que tenha feito isso para defender-se, se bem o conheço”, afirmou uma amiga do jornalista. Os colegas já desejaram ao jornalista uma rápida recuperação.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão anunciou que dois cidadãos germânicos ficaram também feridos no ataque em Londres, e um deles encontra-se em estado grave. O governo espanhol confirmou por sua vez a existência de um cidadão espanhol entre os feridos, mas sem risco de vida.

(Em atualização)