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A música como arma do outro lado do muro

JORGE DUENES / Reuters

Músicos de uma conhecida orquestra alemã queriam tocar em ambos os lados do muro que faz fronteira entre os Estados Unidos e o México, em Tijuana, mas a recusa das autoridades norte-americanas obrigou-os a ficarem pelo lado sul

Luís M. Faria

Jornalista

A Orquestra Sinfónica de Dresden é uma de várias que existem nessa velha cidade alemã. A sua especialidade é a música contemporânea, o que liga bem com a atenção que presta a assuntos da atualidade. Entre os quais a emigração e as tentativas de a impedir mediante barreiras de vários tipos.

Este sábado, membros da orquestra foram a Tijuana (México) dar um concerto de protesto contra o muro que já lá existe para impedir os mexicanos de atravessarem a fronteira. O plano original era tocar dos dois lados da barreira física, mas as autoridades dos EUA não o permitiram. E assim, o concerto ficou-se pelo México. Do outro lado do muro, partidários de Donald Trump cantaram o hino nacional e gritaram slogans a pedir ao Presidente que continue a prolongar o muro prometido "para manter a América segura".

A cena acabou por ilustrar a situação contestada de um modo inesperadamente claro. Como disse o diretor da orquestra, Markus Rindt, "é esquisito, porque tentámos ter um concerto pacífico nos dois lados para construir uma ponte com música através do muro. Teria sido melhor ter música a tocar dos dois lados para promover uma melhor compreensão. Mas isto é liberdade de expressão".

JORGE DUENES / Reuters