Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Oito minutos de terror e 50 tiros até tudo acabar

Imagem dos atacantes abatidos pela polícia em Londres

GABRIELE SCIOTTO/EPA/LUSA

Além das sete vítimas mortais, ainda há ainda 21 pessoas internadas em estado crítico

Os três indivíduos que atropelaram e esfaquearam várias pessoas em Londres no ataque de sábado foram abatidos oito minutos após a primeira chamada para o 112. A polícia disparou cerca de 50 tiros no confronto. Nestes poucos minutos de terror, sete pessoas morreram, 48 ficaram feridas e 21 ainda estavam internadas em estado grave na tarde deste domingo.

A primeira chamada de emergência, a alertar para o facto de um carro ter atropelado várias pessoas na ponte de London Bridge, foi recebida pela polícia às 22h08 de sábado. Ian Houghton, sub-editor do jornal "The Sunday Times", foi um dos que foi quase atropelado. A redação fica mesmo ali ao pé, ao lado do edifício "The Shard" – o maior arranha-céus de Londres. Houghton tinha acabado de sair do trabalho e caminhava na ponte, quando viu uma carrinha branca a acelerar sobre as pessoas. Esquivou-se e conseguiu escapar. “Saltei para o passeio e a lateral da carrinha ainda raspou na minha mão”, contou ao próprio "Sunday Times".

Entre este momento e o confronto com os polícias, foram oito minutos de terror. A carrinha tinha sido alugada recentemente por um dos atacantes, segundo confirmou o subcomissário da Polícia Metropolitana, Mark Rowley. Foi abandonada numa esquina e seus três presumíveis ocupantes, com coletes simulando bombas e grande facas nas mãos, correram para o Borough Market, junto ao final da ponte, uma zona movimentada de bares e restaurantes.

Esfaquearam várias pessoas indiscriminadamente, entrando em pelo menos um restaurante. Várias pessoas os procuraram deter, alguns atirando-lhes mesas, cadeiras, garrafas. Um condutor de táxi avançou com seu carro para atropelar um dos atacantes, sem sucesso. Segundo a BBC, um polícia à paisana e jogador amador de rugby tentou derrubar um dos atacantes e acabou também por ser ferido gravemente. Outros agentes da autoridade ficaram também feridos. “Confirmo que infelizmente alguns dos nossos colegas estão entre as vítimas”, disse o presidente da Federação da Polícia Metropolitana, Ken Marsh, num comunicado.

Segundo Mark Rowley, foram disparados 50 tiros para “neutralizar” os atacantes. “A situação com que os agentes se confrontaram era crítica, era uma questão de vida ou de morte: três homens armados vestindo o que pareciam ser coletes suicidas”, afirmou Rowley, numa declaração à imprensa.

Um dos tiros acabou por acertar uma quarta pessoa. Ferida na cabeça, está hospitalizada mas não corre perigo.

Até às 18h de domingo, não se sabia ainda o nome dos atacantes. “Estamos a fazer progressos significativos na sua identificação”, disse Mark Rowley. Várias buscas estavam em curso em Londres e 12 pessoas tinham sido detidas em Barking, na zona oeste da cidade, onde um dos atacantes morava. “Claramente, ainda há muito por fazer”, afirmou Rowley.

Há um canadiano confirmado entre as vítimas mortais e dois espanhóis entre os feridos. “O Canadá condena firmemente o ataque da noite passada em Londres, que matou e feriu tantas pessoas inocentes. Tenho o coração partido por haver um canadiano entre os mortos”, reagiu o primeiro-ministro Justin Trudeau, num comunicado.

Theresa May, primeira-ministra britânica, visitou alguns feridos no Hospital do King’s College, durante a tarde. De manhã, condenara o ataque, dizendo “basta” e referindo que, embora se tenham conseguido significativos progressos na luta contra o terror, “para ser franca, há ainda muita tolerância em relação ao extremismo neste país”.

May disse que as eleições gerais marcadas para quinta-feira “irão adiante conforme planeado”.

O Reino Unido fará um minuto de silêncio, às 11h de terça-feira, em homenagem às vítimas deste atentado, o terceiro nos últimos três meses no país. Em março, num ataque em tudo semelhante, um homem atropelou várias pessoas na ponte de Westminster e esfaqueou um polícia à entrada do Parlamento. Quatro pessoas morreram. Há duas semanas, um bombista suicida fez-se explodir à saída de um concerto em Manchester, matando 22 pessoas.

Depois do ataque de Manchester, o nível de alerta no Reino Unido tinha sido elevado para “crítico” – o máximo, significando um “ataque iminente”. Mas dias depois, voltou ao nível “severo”, em que o país tem estado nos últimos três anos – um atentado “altamente provável”. A ministra da Administração Interna, Amber Rudd, disse que não há justificativa para o nível subir novamente para “crítico”, dado que os três principais responsáveis foram abatidos, mesmo que a polícia continue à procura de eventuais pessoas que de alguma forma tenha estado envolvidas no ataque.