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Governo garantiu ajuda de Caracas aos portugueses

MAURICIO DUENAS / EPA

José Luís Carneiro diz que encontrou uma “situação grave”, ao nível da insegurança que sentem os empresários portugueses

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Já são 32 os estabelecimentos comerciais de empresários portugueses residentes na Venezuela atacados e destruídos na sequência da grave crise social e política que tem marcado o quotidiano do país governado pelo contestado Nicolás Maduro.

A situação é grave”, admitiu ao Expresso o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, que esta semana se deslocou a Caracas, juntamente com o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus da Madeira, Sérgio Marques. O governante, que se encontrou na quinta-feira com a ministra das Relações Exteriores do país, anunciou ter saído da reunião com um conjunto de “intenções de medidas” do Governo venezuelano que o deixam bastante otimista em relação ao futuro da comunidade portuguesa no país, ainda que admita ter de continuar a “acompanhar a situação, para verificar se esses compromissos são cumpridos”.

Das medidas acordadas com Delcy Rodríguez faz parte a ativação de uma linha de crédito para ajudar os portugueses a reabrirem rapidamente os estabelecimentos destruídos. E “ontem já houve um encontro de uma alta entidade militar com empresários vítimas de assaltos e as autoridades judiciárias também estão envolvidas”, disse José Luís Carneiro, esperando que daqui resulte o apuramento de responsabilidades e a aplicação da justiça.

Da lista de assuntos que levou à ministra, e que esta prometeu ter em consideração, constou também a dificuldade de fornecimento de farinha e a regulação dos preços do pão, dois obstáculos que os empresários da panificação (grande parte dos quais portugueses) consideram que acabam por afetar todo o país: “Há unidades a produzir a 20% da sua capacidade, com a consequente escassez da oferta a refletir-se em toda a população”, conta o governante português, a quem chegaram relatos de locais em que é a própria população a proteger as padarias para que não sejam vítimas de saques.

Outro tema em cima da mesa foi a necessidade de maior cooperação do serviço de consulado venezuelano com os consulados portugueses acreditados no país. Segundo o secretário de Estado, nem sempre há resposta do Estado venezuelano às questões colocadas por parte dos consulados.

Apesar da gravidade da situação, José Luís Carneiro assegura que não há, contrariamente à ideia generalizada, uma “debandada” dos emigrantes portugueses de regresso à pátria. A sustentar a sua convicção apresenta o número de passaportes portugueses emitidos na Venezuela nos primeiros quatro meses do ano: 5041 em 2017, contra 4617 em 2016 e 4813 em 2015. E assegura mesmo que “há uma grande maioria de portugueses (os emigrantes de primeira e segunda geração) que querem manter-se na Venezuela”.