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Internacional

Eleições em Inglaterra mantêm-se para quinta-feira

Não obstante a comoção provocada pelo ataque de ontem, mantêm-se as eleições gerais marcadas para a próxima quinta-feira

DANIEL LEAL-OLIVAS

Com o Parlamento dissolvido e restrições legais, um eventual adiamento seria quase impossível.

Ricardo Garcia (Correspondente em Londres)

As eleições gerais britânicas marcadas para quinta-feira não serão adiadas, apesar do ataque deste sábado em Londres que matou sete pessoas e feriu meia centena. “Não podemos permitir que a violência perturbe o processo democrático. Por isso, a campanha [eleitoral] será retomada em pleno amanhã e as eleições irão adiante, conforme planeado, na quinta-feira”, disse May, num pronunciamento em Downing Street esta manhã.

Os principais partidos políticos já tinham anunciado que iriam suspender a campanha por um dia, tal como o fizeram depois do atentado que vitimou mortalmente 22 pessoas à saída de um concerto em Manchester há apenas duas semanas. Apenas o Partido da Independência do Reino Unido – o eurocético UKIP – decidiu manter sua campanha, argumentando que o mais importante é combater o terrorismo islâmico com os princípios democráticos. “Recuso-me suspender a campanha porque é isto precisamente o que os extremistas querem que façamos”, justificou Paul Nuttall, líder do partido, através do Twitter.

“Adiar as eleições não faria sentido e, na verdade, seria muito complicado de o fazer na prática”, opina Paula Keaveney, investigadora em política e relações públicas na Universidade de Hedge Hill.

Duas razões dificultariam o adiamento. A legislação britânica só o permite em casos muito excepcionais, como tumultos generalizados nas ruas ou através da declaração do estado de emergência. Outra alternativa seria modificar a lei, algo impossível neste momento, pois o Parlamento foi dissolvido quando Theresa May convocou, dia 19 de abril, eleições antecipadas para 8 de junho.

Democracia defende-se com democracia

Desde então, o Reino Unido foi abalado por dois ataques terroristas – há duas semanas em Manchester e o de ontem, em Londres – além do atentado de março, também na capital britânica, em que um extremista atropelou várias pessoas na ponte de Westminster e esfaqueou mortalmente um agente da polícia.

“Não se defende a democracia com menos democracia”, diz Paula Keaveney. Adiar as eleições, além disso, deixaria os cidadãos sem Parlamento por mais tempo.

Em 2001, o então primeiro-ministro Tony Blair adiou as eleições locais marcadas para 3 de maio, devido a uma epidemia de febre aftosa no país. Mas para tal, foi preciso a intervenção legislativa do Parlamento.

Paula Keaveney afirma que é difícil avaliar se o atentado de ontem terá efeito nas eleições em si. “Alguns políticos já estão a manifestar-se contra o que vêem como um aproveitamento da situação por outros, por exemplo, ao falarem dos efetivos policiais e etc”, explica a investigadora. Mas é impossível que temas como o crime e a coesão da sociedade venham ao de cima. “Espero que todos venham votar, de modo a mostrar o quanto valorizamos a nossa democracia”, completa Keaveney.