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Internacional

O que é o Grupo Bilderberg?

Encontram-se todos os anos desde 1954. Não são o G7, mas há quem lhe atribua um poder semelhante. São o Grupo Bilderberg. À mesa desta conferência sentam-se 130 poderosos, da banca à política e à atividade empresarial, para falar do estado do mundo e do que os preocupa. Este ano, três portugueses estão na lista VIP: Durão Barroso (Goldman Sachs), José Luis Arnaut (Rui Pena & Arnaut) e António Mexia (EDP)

A reunião começou quinta-feira e termina este domingo. No sumptuoso hotel Westfields Marriott Washington Dulles, em Chantilly, no estado da Virginia (EUA), 130 poderosos vão discutir as questões internacionais que estão na ordem do dia: a presidência de Donald Trump - e as implicações que isso pode trazer à geopolítica mundial -, as relações entre EUA e Europa, o crescimento dos populismos ou o papel da Rússia no mundo. Ao todo, são 13 os tópicos na agenda, na qual também estão incluídos o rumo da União Europeia, o papel da China ou a proliferação nuclear. Sabe-se que se irá falar da NATO e de terrorismo, por exemplo.

O presidente do Grupo Bilderberg é o francês Henri de Castries, CEO da AXA. Ao lado, Thomas Buberl, da mesma empresa, que também está presente na 65ª conferência, a decorrer até es domingo na Virginia.e

O presidente do Grupo Bilderberg é o francês Henri de Castries, CEO da AXA. Ao lado, Thomas Buberl, da mesma empresa, que também está presente na 65ª conferência, a decorrer até es domingo na Virginia.e

Christian Hartmann

E quem se senta à mesa deste debate exclusivo? Banqueiros de vários países, CEO de seguradoras como a AXA, ministros das Finanças e da Defesa, embaixadores, senadores, professores universitários e advogados, mas também editores de política e economia (da Bloomberg, The Economist, Financial Times...) ou "chairmen" de grupos de comunicação social. O presidente do Grupo Bilderberg é Henri de Castries, um francês de 62 anos, casado e pai de três filhos, CEO da seguradora AXA. Entre os 120 participantes estão personalidades como Cristine Lagarde, diretora do FMI, ou Henry Kissinger, da Kissinger Associates, a diretora-geral do CERN, Fabiola Gianotti, mas também Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO, Juan Luis Cebrian, Chairman da PRISA (dona do “El País”), Thomas Enders, CEO da Airbus, e Michael O'Leary, CEO da Ryanair. Presente estará também o espanhol Albert Rivera, líder do partido Ciudadanos (e o ministro da economia do mesmo país, Luis de Guindos).

Juan Luis Cebrian

Juan Luis Cebrian

Carlos Alvarez

David Cohen, ex-diretor da CIA, é um dos participantes convidados e a sua intervenção deverá ser escutada com muita atenção

David Cohen, ex-diretor da CIA, é um dos participantes convidados e a sua intervenção deverá ser escutada com muita atenção

Yuri Gripas

De Portugal chegam três personalidades: José Manuel Durão Barroso, atual presidente não executivo da Goldman Sachs e ex-presidente da Comissão Europeia; José Luis Arnaut, sócio da CMS Rui Pena & Arnaut, e membro do conselho consultivo do Goldman Sachs, e António Mexia, presidente executivo da EDP (que foi constituído arguido esta sexta-feira no âmbito de uma investigação assente em suspeitas de corrupção relacionadas com rendas concedidas à EDP a partir de 2004).

José Manuel Durão Barroso, atual presidente não executivo da Goldman Sachs, é membro permanente do comité de diretores da organização do Grupo Bilderberg

José Manuel Durão Barroso, atual presidente não executivo da Goldman Sachs, é membro permanente do comité de diretores da organização do Grupo Bilderberg

Sean Gallup

José Luis Arnaut, ex-braço direto de Durão Barroso no seu governo em Portugal, foi na qualidade de sócio da CMS Rui Pena & Arnaut

José Luis Arnaut, ex-braço direto de Durão Barroso no seu governo em Portugal, foi na qualidade de sócio da CMS Rui Pena & Arnaut

Alberto Frias

António Mexia, presidente executivo da EDP, também está presente na conferência de Bilderberg

António Mexia, presidente executivo da EDP, também está presente na conferência de Bilderberg

Ant\303\263nio Pedro Ferreira

Nestas reuniões, as questões abordadas são sensíveis. Fala-se de petróleo e da indústria do armamento, de terrorismo e tecnologia de informação. Já agora, para quem não sabe, a Airbus é, além de fabricante de aviões, um dos maiores produtores de armas do mundo. É portanto natural que nesta reunião de poderosos se "cozinhem" acordos ou se "refoguem" futuros acordos com o potencial de mudar o mundo.

Na origem da fundação do Clube, em 1954 - cujo primeiro encontro teve lugar no Hotel de Bilderberg, na Holanda, o que lhe deu o nome - estava a vontade aproximar Europa e EUA, num movimento pró-Atlântico. O crescendo de uma vaga antiamericanista varria a Europa e vários políticos consideraram importante juntar mentes e poderes dos dois lados do Atlântico para melhor pensar o mundo.