Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Maduro promete referendar nova Constituição perante críticas internas

MIRAFLORES PALACE / EPA

Um mês depois de ter anunciado a criação de uma assembleia constituinte encarregada de redigir um novo documento fundamental da nação, o Presidente da Venezuela cede a pressões até de aliados, que dizem que o passo ameaça “eliminar” a democracia

O Presidente venezuelano promete que vai levar a referendo a nova Constituição que está a ser redigida por uma assembleia constituinte criada para esse efeito. Depois de dois meses de protestos violentos contra o seu governo, e um mês depois de ter anunciado a criação dessa assembleia, Nicolás Maduro garantiu esta quinta-feira que a população será ouvida antes de a nova Constituição ser promulgada.

"Vou propô-lo de forma explícita: a nova Constituição será sujeita a um referendo consultivo, para que as pessoas possam dizer se concordam ou não com uma Constituição nova e reforçada", declarou na televisão estatal.

Desde que anunciou a intenção de criar a assembleia constituinte, Maduro tem sido criticado pelos opositores mas também internamente, incluindo por Luisa Ortega Díaz, procuradora-geral da Venezuela. Há algumas semanas, Ortega tinha dito publicamente que criar essa assembleia sem um plebiscito – como aconteceu com Hugo Chávez, quando em 1999 decidiu reescrever a Constituição – ameaça "eliminar" a democracia no país.

A procuradora, a mais proeminente figura da hierarquia oficial a desafiar abertamente Maduro, tem sido uma aliada tradicional do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). As suas críticas à decisão do Presidente estão a ser lidas por alguns analistas como prenúncio de mais divisões no governo numa altura em que o país continua mergulhado numa profunda crise social, política e financeira, com manifestações quase diárias que já provocaram pelo menos 62 mortos desde o final de março.

Maduro argumenta que é necessária uma assembleia constituinte para trazer a paz à Venezuela, mas os seus críticos e a oposição dizem que é uma jogada com motivos ulteriores, para comprar tempo e criar um organismo enviesado a seu favor que pode perpetuar o poderio do PSUV.

Para já, ainda não houve reações à promessa do Presidente pela barricada da oposição, que deverá tentar transformar o referendo numa consulta sobre o próprio Presidente. Desde o final de março, a oposição tem estado a liderar protestos diários em várias cidades venezuelanas para exigir a demissão de Maduro e eleições antecipadas – contra manifestações de apoiantes do Presidente em Caracas. Para já, as presidenciais continuam marcadas para o final de 2018 e ainda não há data para a consulta popular.