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Diretor do FBI que Trump despediu vai ao Senado na próxima semana

James Comey, diretor do FBI

Chip Somodevilla/ Getty images

James Comey vai à comissão de serviços de informação da câmara alta do Congresso, a 8 de junho, prestar depoimentos sobre a alegada ingerência russa nas eleições e sobre as suspeitas de conluio entre o governo russo e a equipa do Presidente americano

A comissão de serviços de informação do Senado, responsável por uma das investigações em curso às suspeitas de interferência russa nas presidenciais americanas e do alegado conluio entre a equipa do Presidente Trump e o governo de Vladimir Putin, vai ouvir o ex-diretor do FBI na próxima quinta-feira, 8 de junho, a partir das 10h locais (15h em Lisboa).

Donald Trump despediu James Comey da liderança do FBI em maio, dias depois de este ter pedido ao Departamento de Justiça mais fundos para acelerar uma investigação a Michael Flynn, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional (CSN), por causa de contactos potencialmente ilegais com o embaixador da Rússia em Washigton.

Esta quarta-feira, uma fonte próxima de Comey tinha avançado à CNN que o ex-diretor do FBI vai confirmar que o Presidente o pressionou para que abandonasse o inquérito a Flynn, algo que pode corresponder ao crime de obstrução à Justiça. Esta quinta-feira, Putin sugeriu que "alguns hackers russos patriotas" e "independentes" podem ter tentado manipular as eleições norte-americanas que, em novembro, deram a vitória a Trump sobre a democrata Hillary Clinton.

Neste momento, existe alguma especulação de que o Presidente vá invocar o chamado "privilégio executivo" para impedir Comey de testemunhar sobre as investigações em curso. Na sessão da próxima semana, o ex-diretor do FBI deverá ser questionado pelos senadores da comissão sobre as conversas mantidas com o Presidente Trump, nas quais este lhe terá pedido que suspendesse a investigação a Flynn – general na reforma que foi forçado a resignar à chefia do CSN em fevereiro, após os media terem denunciado pormenores sobre chamadas telefónicas com o embaixador Sergei Kislyak, em dezembro.

A 9 de maio, Trump anunciou o despedimento imediato de Comey sob o argumento de que o então diretor do FBI não soube gerir a investigação à candidata democrata Hillary Clinton, que esteve a decorrer durante a campanha por causa do uso de um servidor privado de email quando era secretária de Estado no primeiro mandato de Barack Obama. Foi a segunda vez na História dos EUA que um diretor do FBI foi despedido pelo Presidente.