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Eleições no Reino Unido. Trabalhistas a apenas 3 pontos percentuais do Governo

Leon Neal

A uma semana da ida às urnas, a mais recente sondagem do YouGov para o “The Times” dá 42% de intenções de voto ao Partido Conservador de Theresa May contra 39% para o partido de Jeremy Corbyn. Em abril, May detinha um avanço de 24% sobre o principal partido da oposição

O Partido Trabalhista britânico está a aproximar-se a passos largos do Partido Conservador, com a mais recente sondagem do YouGov a prever um avanço de apenas três pontos percentuais para os Tories quando falta apenas uma semana para a ida antecipada às urnas.

De acordo com o último inquérito de opinião para o “Times”, neste momento 42% dos britânicos favorecem o partido no poder, da primeira-ministra Theresa May, contra 39% que estão do lado do Labour de Jeremy Corbyn. Os Liberais Democratas, que nas últimas semanas pareciam estar bem colocados para roubar votos aos dois principais partidos, estão estacionados em 7% das intenções de voto.

A distância que agora separa os dois partidos tradicionais, com valores que estão dentro da margem de erro, marca uma grande alteração de rota para os Conservadores; em abril, quando May convocou as eleições antecipadas para o próximo dia 8 de junho, o seu partido detinha uma margem de 24% sobre os trabalhistas.

A chefe do Governo — não-eleita e que assumiu o poder no rescaldo do referendo ao Brexit e da consequente demissão do então primeiro-ministro David Cameron, há um ano — tem sido criticada por se manter afastada dos eleitores, sobretudo depois de se ter recusado a participar em debates antes da ida às urnas, marcada para a próxima quinta-feira.

No encontro televisivo, foi representada pela sua ministra do Interior, Amber Rudd, apesar de o pai desta ter morrido dois dias antes, durante o fim-de-semana, aos 93 anos. Durante esse debate, a líder d'Os Verdes, Caroline Lucas, não deixou escapar a oportunidade e criticou a primeira-ministra pela sua intransigência. “Não se convoca eleições gerais e se diz que são as mais importantes eleições das nossas vidas para depois nem nos incomodarmos a debater as questões em cima da mesa. Acho que a primeira regra de liderança é dar a cara”.

A mesma sondagem divulgada na quarta-feira à noite mostra que, a nível de liderança, Jeremy Corbyn também está a ganhar terreno em relação a May. Neste momento, 30% dos inquiridos acham que o líder trabalhista daria um primeiro-ministro melhor, com a popularidade da atual chefe do Governo a sofrer uma queda de dois pontos percentuais, de 45% para 43%.

Para hoje é esperado um discurso no qual May vai tentar redirecionar a campanha novamente para o Brexit, depois de, em abril, os analistas terem apontado que o objetivo de convocar legislativas antecipadas era reforçar o seu mandato para negociar a saída da União Europeia com Bruxelas e os restantes 27 Estados-membros.

No discurso desta quinta-feira, a primeira-ministra deverá sublinhar que as negociações do Brexit são a “grande missão nacional” do Reino Unido e que é ela quem está em melhor posição para as conduzir. Isto depois de ter usado a saída da UE para atacar Corbyn, dizendo que se ele for eleito vai dar por si “nu e sozinho” nas negociações com o resto do bloco europeu.