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É oficial: Trump anuncia saída do Acordo de Paris. “Uma a uma, estamos a cumprir as promessas”

KEVIN LAMARQUE/ Reuters

Em conferência de imprensa, o Presidente norte-americano confirmou o que já se esperava. Trump não exclui a possibilidade de negociar as condições e voltar a assinar o documento

Agora é oficial: os Estados Unidos da América já não fazem parte do Acordo de Paris sobre o clima, aprovado em 2015 e assinado há um ano. Depois de alguma especulação, a confirmação já esperada chegou esta quinta-feira, em conferência de imprensa, por Donald Trump.

“Uma a uma, estamos a cumprir as promessas”, começou Trump. “Com o intuito de cumprir solenemente o meu dever de proteger a América e os s cidadãos norte-americanos, os EUA vão retirar-se do Acordo de Paris”, anunciou, após ter sido apresentado pelo vice-presidente, Mike Pence.

O Presidente dos EUA justificou a saída do acordo como forma de proteger o país, que, defendeu, “é prejudicado ao mais alto nível” e “bloqueia o desenvolvimento das energias limpas”. Desde já, Trump vai cortar no financiamento do Fundo Verde do Clima e deixar de contribuir para o Pacto de Paris.

“O acordo de Paris deixa os EUA em desvantagem constante perante o resto do mundo, deixando os custos para os trabalhadores e contribuintes norte-americanos, e levando ao encerramento de fábricas”, argumentou. “Fui eleito para representar os cidadãos de Pittsburgh, não os de Paris”, acrescentou.

Segundo o Presidente, a permanência no acordo iria custar milhões de dólares e milhões de postos de trabalhos. “Como alguém que se preocupa muito com o ambiente, como eu me preocupo, eu não posso apoiar um acordo que castiga os EUA, como este prejudica”.

No entanto, Trump está disponível para negociar “a reentrada no acordo de Paris, com termos que sejam mais justos”. “Estou disposto a negociar com os líderes democráticos para regressar ao acordo dentro de uma conjuntura mais favorável. Ou até para assinar um novo acordo. Vamos sentar-nos com os democratas e com quem representa o Acordo de Paris para negociar. Até que isso seja feito, estamos fora”, garantiu.

Assim, os EUA juntam-se à Síria e a Nicarágua, os dois países que recusaram assinar o acordo. No primeiro caso, o documento não foi ratificado devido à Guerra Civil, no segundo foi considerado que não era duro o suficiente.

O tratado internacional, acordado por 195 países representados na conferência da ONU sobre o clima (COP21), assume a necessidade de se reduzir o aumento global das temperaturas médias da atmosfera para atenuar o impacto das alterações climáticas no planeta. Como objetivo, define que as temperaturas médias globais até ao final do século XXI não podem subir mais de 2 graus Célsius, de preferência não mais de 1,5ºC, por comparação às registadas na era pré-industrial.

Para cumprir este fim é necessária uma redução substancial das emissões de gases de efeito de estufa (entre os quais o dióxido de carbono), mas o acordo não estabelece metas e aceita as contribuições nacionais apresentadas por cada um, obrigando a que estas sejam revistas de cinco em cinco anos, após 2020.

Os EUA assinaram o acordo a 22 de abril de 2016, numa cerimónia oficial na sede da ONU, em Nova Iorque, onde mais 171 países ratificaram o documento (incluindo os 28 Estados-membros da União Europeia, os EUA, a China, a Índia, o Brasil e a Rússia).