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Internacional

Dez soldados filipinos mortos em “fogo amigo” na ofensiva contra célula do Daesh

Dezenas de milhares de pessoas já fugiram de Marawi na última semana

TED ALJIBE

Ministério da Defesa confirma que os soldados morreram na sequência de um ataque mal-direcionado do Exército em Marawi, onde na semana passada o Presidente Rodrigo Duterte declarou lei marcial face a uma tentativa de golpe por um grupo extremista ligado ao autoproclamado Estado Islâmico

Dez soldados filipinos morreram na quarta-feira vítimas de “fogo amigo” no âmbito da ofensiva das forças armadas do país para recuperar o controlo de uma cidade do sul do arquipélago, que está sitiada por militantes islamitas há oito dias.

A informação foi avançada esta quinta-feira pelo Ministério da Defesa das Filipinas, cujo responsável explicou que outros sete soldados ficaram feridos no ataque mal-direcionado, quando dois SF-260 da Força Aérea largaram bombas sobre o centro da cidade de Marawi, na ilha de Mindanao.

O primeiro avião, avançou o ministro Delfin Lorenzana aos jornalistas esta manhã, atingiu o alvo, mas o segundo falhou a missão. “É muito triste atingirmos as nossas próprias tropas”, declarou em Manila, a capital, que fica a cerca de 800 quilómetros a norte de Marawi. “Tem de ter havido um erro algures, ou de alguém no terreno ou do piloto.”

Na batalha pela reconquista de Marawi aos rebeldes do Maute, um grupo que jurou fideralidade ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), as forças das Filipinas estão a apostar em operações no terreno combinadas com missões aéreas para obrigarem os combatentes a abandonarem a cidade.

Há uma semana, o Governo de Rodrigo Duterte declarou lei marcial em toda a ilha de Mindanao, a segunda maior do arquipélago. A Al-Jazeera refere hoje que “o Maute se tem provado um inimigo feroz”, aguentando até agora os oito dias de bombardeamentos que o Exército diz estarem a ser conduzidos com precisão “cirúrgica” contra alvos rebeldes bem definidos.

A morte dos dez soldados ontem à tarde eleva assim o balanço de tropas caídas em combate para 38, a par dos 19 civis e dos 120 rebeldes que já perderam a vida nas batalhas da última semana — ao longo da qual dezenas de milhares de pessoas já fugiram de Marawi.

Aos jornalistas esta manhã, Lorenzana também avançou que, entre os militantes mortos, contam-se oito estrangeiros, oriundos da Arábia Saudita, da Malásia, da Indonésia, do Iémen e da Tchetchénia, que estão a combater ao lado dos rebeldes filipinos do Maute. Antes da conferência de imprensa, o ministro da Defesa tinha enviado um comunicado aos media a explicar o incidente com “fogo amigo”: “Às vezes acontece. Às vezes a neblina da guerra... Não houve coordenação apropriada e, por isso, atingimos os nossos”.

O que se passa em Marawi?

A maioria dos 200 mil habitantes da cidade, capital da ilha de Mindanao, é muçulmana. Situada a cerca de 800 quilómetros da capital das Filipinas, Marawi foi palco de uma operação do Exército para capturar Ismilon Hapilon, tido como o líder local do Daesh, mas essa operação falhou. No seu rescaldo, o Maute cercou as principais instituições públicas, levando Duterte a declarar lei marcial em toda a ilha.

“Desde que o Governo filipino anunciou a lei marcial, tem havido ataques aéreos incessantes, 'ataques aéreos cirúrgicos' como o Exército das Filipinas os descreve”, aponta Jamela Alindogan, correspondente da Al-Jazeera em Marawi. “Algumas organizações e civis têm pedido ao Governo que suspenda os ataques aéreos, pelo perigo que representam para a população civil.”

Neste momento, calcula-se que haja mais de duas mil pessoas presas em zonas de conflito na cidade, à mercê das violentas batalhas no terreno e da campanha de bombardeamentos aéreos do Governo. Dezenas de milhares de pessoas já terão fugido para outras cidades e outras ilhas do arquipélago desde que o conflito estalou.