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Comey vai confirmar que Trump o pressionou a suspender a investigação a Michael Flynn

SHAWN THEW / EPA

CNN avança que o ex-diretor do FBI, afastado pelo Presidente em maio, se encontrou com o responsável pelos inquéritos sobre a ingerência russa nas presidenciais norte-americanas para preparar o seu futuro depoimento público no Senado

O ex-diretor do FBI prepara-se para testemunhar publicamente sobre as pressões que o Presidente norte-americano terá exercido sobre ele para que suspendesse uma investigação da agência federal às alegadas ligações de Michael Flynn, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional (CSN) de Donald Trump, ao Governo russo.

Ontem a CNN avançou que James Comey “parece estar ansioso” por discutir as suas interações com o Presidente antes de este o ter despedido do cargo no início de maio, dias depois de o ainda chefe do FBI ter pedido ao Departamento de Justiça mais fundos para acelerar a investigação a Flynn. Ao afastar Comey da agência secreta, Trump tornou-se suspeito de obstrução à Justiça por tentar alterar o rumo de um inquérito independente das autoridades federais.

Quando o Presidente o despediu, num passo criticado pelos democratas e por vários republicanos, Comey estava também a liderar uma outra investigação ao alegado conluio entre membros da equipa de Trump e operacionais russos para influenciar os resultados das presidenciais americanas de 2016.

Na altura, o Presidente garantiu que Comey lhe assegurou por três vezes que ele, Trump, não está sob investigação. O “New York Times” noticiaria logo a seguir — com base em registos de encontros produzidos por Comey — que, numa das interações, o chefe da administração pediu ao diretor do FBI que pusesse fim à investigação a Flynn.

Flynn foi contratado para chefiar o Conselho de Segurança Nacional apesar do seu currículo duvidoso, de avisos da administração Obama e de estar sob investigação

Flynn foi contratado para chefiar o Conselho de Segurança Nacional apesar do seu currículo duvidoso, de avisos da administração Obama e de estar sob investigação

Drew Angerer

Flynn, que foi contratado para chefiar o CSN apesar dos avisos da administração de Barack Obama e apesar de já estar sob investigação, foi forçado a demitir-se em fevereiro quando os media revelaram que o general na reforma mentiu sobre contactos ilegais mantidos com o embaixador da Rússia em Washington, Sergey Kislyak, em dezembro. Na altura, a Casa Branca alegou que exigiu a Flynn que se demitisse por este ter mentido ao vice-Presidente Mike Pence sobre esses contactos.

Meses depois, quando o NYT divulgou o conteúdo do memorando de Comey, a administração disse que o que constra desse documento não corresponde à conversa que teve lugar entre o então diretor do FBI e o Presidente.

Agora, de acordo com a CNN, Comey está preparado para confirmar que sofreu pressões de Trump quando, numa data ainda por agendar, for prestar depoimentos à comissão de serviços de informação do Senado — que também está a conduzir a sua própria investigação à alegada ingerência russa nas eleições americanas e às suspeitas de conluio entre elementos próximos de Trump e de Vladimir Putin.

A CNN diz que Comey esteve reunido em privado com Robert Mueller, o homem que, no rescaldo do afastamento do diretor do FBI, foi nomeado para conduzir uma investigação independente às suspeitas. No encontro, os dois homens terão alinhavado os parâmetros do futuro depoimento de Comey, no qual se antecipa que este vai dar força às acusações de obstrução à Justiça tecidas contra Trump.

A par de Mueller, tanto o Senado como a Câmara dos Representantes estão a conduzir investigações às possíveis ligações entre a equipa de campanha do Presidente e a Rússia. Nesse âmbito, a comissão da câmara baixa do Congresso acabou de emitir intimações formais contra o ex-chefe do CSN e o advogado pessoal de Donald Trump, Michael Cohen, para os forçar a entregar os seus documentos pessoais e de negócios aos investigadores.

Ontem, uma semana depois de se ter recusado a fornecer essa documentação à Câmara dos Representantes, uma fonte próxima de Flynn disse que o ex-conselheiro vai entregar aos legisladores parte dos documentos exigidos que possam ser relevantes para o inquérito.

A par das quatro intimações — contra Flynn, Cohen e as empresas de cada um — a comissão da câmara baixa também notificou o FBI, a CIA e a Agência de Segurança Nacional para que disponibilizem informações sobre pedidos feitos pela administração Trump às secretas.O objetivo é “desmascarar” as identidades das pessoas citadas em relatórios das agências federais no âmbito das investigações em curso.