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Ameaçou explodir o avião e levou com três “grandes heróis australianos” em cima

Getty

Polícia australiana retira tese de atentado terrorista a bordo do voo 128 da Malaysia Airlines. O homem que ameaçou explodir o aparelho pouco depois de descolar de Melbourne rumo a Kuala Lumpur tinha acabado de ter alta de um hospital psiquiátrico

Quando descolaram esta quarta-feira de manhã de Melbourne, nada fazia prever que meia-hora depois estariam de volta ao aeroporto da cidade australiana. E não será tão cedo que os 337 passageiros e tripulantes a bordo do voo 128 da Malaysia Airlines conseguirão esquecer esses momentos.

O Airbus A330 da companhia aérea até tinha tirado as rodas do asfalto a horas e cumpria mais uma ligação entre Melbourne e Kuala Lumpur, capital da Malásia. Duração prevista do voo: oito horas.

Mas momentos depois de deixarem o aeroporto conhecido como Tullamarine, um dos passageiros, na posse de um objeto entretanto descrito por uma testemunha como “muito estranho”, insiste junto do pessoal de cabine que pretende entrar no cockpit para falar com o comandante. E quando percebeu que tal não seria possível, ficou “muito ansioso” e lançou algumas ameaças, incluindo apertar um botão no tal objeto “muito estranho”.

Um dos passageiros, identificado pela BBC como Andrew Leoncelli, haveria de contar a uma rádio de Melbourne que o homem terá dito em tom ameaçador estar disposto a “rebentar com o avião”, o que terá levado a tripulação a declarar uma emergência e a regressar ao ponto de partida. Mas o melhor ainda estava para vir.

Impedido de aceder ao cockpit, a dado momento o homem de 25 anos, identificado inicialmente pela polícia como um cidadão do Sri Lanka mas que afinal é australiano, dirige-se a correr para a retaguarda do aparelho. É então que três passageiros voam literalmente ao encontro do suspeito, atirando-o ao chão e imobilizando-o.

A ameaça estava neutralizada pelo gesto concertado de três homens, descritos à BBC por Andrew Leoncelli como “grandes heróis australianos”. E lá aterraram em segurança. Mas a aventura de 337 passageiros e tripulantes ainda estava para durar.

Apesar de ter cercado o avião na placa, a polícia levaria, de acordo com os media locais, cerca de 90 minutos para entrar na aeronave e proceder à detenção do alegado terrorista. O comissário Graham Ashton haveria de justificar a demora com a possibilidade de estarem a bordo mais engenhos explosivos e eventuais cúmplices do homem imobilizado pelos passageiros.

Por enquanto, ninguém parece saber ao certo que estranho objeto tinha entre mãos o jovem cidadão australiano. A polícia disse que era uma coluna de som portátil, daquelas que se ligam por bluetooth a um telemóvel, enquanto o ministro-adjunto dos Transportes da Malásia, Abdul Aziz bin Kaprawi, descreveu-o à AFP como um simples powerbank (carregador portátil de telemóvel).

Já sobre o passado recente do jovem australiano é que não há dúvidas: esteve internado até esta quarta-feira de manhã num um hospital psiquiátrico em Melbourne.