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Internacional

Presidente brasileiro vive terça-feira negra

Ueslei Marcelino

Interrogatório pela Polícia Federal, manutenção do principal crítico como líder de bancada do PMDB e uma troca falhada de ministros para proteger o “homem da mala” são alguns dos principais revezes sofridos por Michel Temer, a uma semana de enfrentar a justiça eleitoral.

O juiz relator da Lava Jato no Supremo Tribunal, Edson Fachin, rejeitou esta terça-feira três recursos apresentados pela defesa de Michel Temer. Um dia marcado ainda pela manutenção na liderança da bancada do PMDB no Senado, Renan Calheiros, o maior crítico interno do Governo e pela recusa de Osmar Serraglio a trocar com Torquato Jardim a pasta da Justiça pela da Transparência. Ao não aceitar assumir o ministério da Transparência, Serraglio volta à condição de deputado do PMDB onde estava a ser substituído por Rodrigo Rocha Loures, o “homem da mala” que também está a ser investigado pelo STF no caso da JBS. Loures perderá assim o foro privilegiado e ficará sob a alçada do juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância.

No mesmo despacho em que autoriza a Polícia Federal a interrogar o Presidente da República, o juiz do STF recusou mais três recursos apresentados pela Defesa: o depoimento de Temer não fica suspenso até que a análise da gravção da JBS fique concluída; Fachin não abandona a relatoria do processo, não o transferindo para o plenário do STF; e não separa o processo contra Temer de outros como o de Rodrigo Rocha Loures, o deputado que foi filmado pela Polícia Federal a entregar uma mal de dinheiro para alegados subornos.

Michel Temer poderá responder por escrito ao interrogatório da Polícia Federal sobre as denúncias feitas pelo empresário Joesley Batista, mas tem apenas 24 horas para o fazer assim que o questionário seja entregue. Com o interrogatório, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, quer esclarecer alguns pontos da gravação feita por Joesley Batista, o dono da JBS a maior empresa de carnes do país, quando em março foi recebido às 11 da noite por Temer no Palácio do Jaburu.

Para justificar a decisão de não separar as investigações de Temer e Loures por corrupção, obstrução à justiça e organização criminosas, o despacho de Fachin considera que existem “concretos pontos de contacto” com as investigações sobre Loures e que este terá agido em nome do presidente.

No entanto, o juiz do STF aceitou o pedido da defesa do senador suspenso Aécio Neves, líder do PSDB e maior aliado de Temer para separar a respetiva investigação da de Carlos Rocha Loures.

Recusa de Serraglio afunda "homem da mala"

Omar Serraglio recusou esta terça-feira a troca de pastas da Justiça pela da Transparência com o ministro Torquato Jardim, anunciada pelo Governo Temer ao final da tarde de domingo. Jardim assume a liderança do Ministério da Justiça e Omar Serraglio regressa à Câmara dos Deputados, onde estava a ser substituído por Rocha Loures que assim deverá perder o “foro privilegiado”. Segundo a edição brasileira do “El Pais”, Torquato Jardim mesmo antes de tomar posse já deu algumas indicações de como vai defender o governo de Michel Temer. Em entrevistas recentes, Torquato disse que não sabe se vai manter a atual liderança da Polícia Federal e que poderá ser alterada a lista dos candidato para substituição de Rodrigo Janot na PGR – prevista para setembro.

Outro dos grandes revezes sofridos por Temer foi a confirmação de Renan Calheiros como líder de bancada do PMDB. O principal crítico de Temer no interior do partido foi reconduzido na liderança da bancada do Governo depois de várias pressões internas na semana passada para abandonar o cargo. Renan Calheiros tem feito por marcar a sua dissidência interna em múltiplas declarações públicas de crítica às reformas da segurança social e do mercado de trabalho, os principais estandartes do Governo.

Na próxima terça-feira, dia 6 de junho, começa o julgamento da dupla Dilma Rousseff- Michel Temer por irregularidades na campanha eleitoral de 2014, onde o presidente poderá ser destituído e Dilma ficar inelegível por oito anos.