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Internacional

ONU avisa que Iémen está à beira do “colapso total”

MOHAMMED HUWAIS

“O povo iemenita está a ser sujeito a privações, doenças e morte enquanto o mundo observa”, denuncia o responsável das Nações Unidas pelos assuntos humanitários. “A crise não está a chegar nem está iminente, já está aqui e agora, à frente dos nossos olhos”

O responsável pela pasta de assuntos humanitários nas Nações Unidas avisou esta terça-feira que o Iémen enfrenta o "total colapso social, económico e institucional", numa altura em que a coligação liderada pelos sauditas continua a executar ataques aéreos contra alvos rebeldes Hutis, com um elevado balanço de civis mortos.

Num discurso ao Conselho de Segurança da ONU, Stephen O'Brien alertou esta terça-feira os membros do organismo de que "é necessária acão urgente" para reverter a grave situação humanitária no terreno, numa altura em que quase sete milhões de pessoas estão à beira da fome e que um surto de cólera já provocou 500 mortos nas últimas semanas, com especialistas da ONU a anteverem 150 mil novos casos até ao final do ano.

O'Brien sublinhou que o sofrimento dos iemenitas não é uma coincidência nem "resultado de forças que não conseguimos controlar", antes diretamente imputável às partes envolvidas no conflito e às potências mundiais que continuam sem nada fazer.

"O povo do Iémen está a ser sujeito a privações, doenças e morte enquanto o mundo observa. A crise não está a chegar nem está iminente, já está aqui e agora, à frente dos nossos olhos", denunciou O'Brien, que também lembrou que, apesar dos "compromissos generosos", a ONU ainda só recebeu 24% dos 2,1 mil milhões de dólares [1,8 mil milhões de euros] necessários para dar respostas à crise humanitária.

O Iémen está mergulhado numa guerra civil desde março de 2015, quando estalaram as primeiras batalhas entre as forças leais ao Presidente, que são apoiadas pela coligação aérea liderada pelos sauditas sunitas, e rebeldes Hutis xiitas. A Al-Qaeda tem estado a aproveitar o caos para reforçar a sua presença no sul e sudeste do país.

Neste momento, e de acordo com o balanço mais recente da ONU, mais de oito mil pessoas, na sua maioria civis, já morreram e quase 44.500 ficaram feridas desde o início da guerra. Mais de 17 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária urgente.

Ao lado de O'Brien, e acabado de regressar de Sana, o enviado da ONU para o Iémen, Ismael Ould Cheikh Ahmed, explicou aos membros do Conselho de Segurança que nenhum dos lados do conflito está disposto a aceitar um compromisso.

"Os pedidos de paz continuam a cair em saco roto. A relutância dos principais atores em aceitarem as concessões necessárias para a paz, ou até em discuti-las, continua a ser muito preocupante. E são os iemenitas que estão a pagar o preço por este atraso desnecessário."