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May admite um não acordo com a UE, Corbyn dará prioridade a um acordo comercial

Theresa May respondeu às questões colocadas por membros da audiência e pelo jornalista Jeremy Paxman

GETTY

Os líderes conservador e trabalhista responderam a perguntas num programa televisivo na segunda-feira à noite, sobre as eleições de 8 de junho. Mas falaram em diferentes momentos, pois a primeira-ministra recusou-se a debater num frente a frente

Como não poderia deixar de ser, as negociações com a União Europeia sobre os moldes em que o Brexit irá concretizar-se foi um dos temas em destaque no programa de hora e meia transmitido esta segunda-feira à noite na Sky News e no Channel 4, que juntou os dois principais candidatos às eleições britânicas de 8 de junho.

Enquanto a líder conservadora e atual primeira-ministra Theresa May afirmou que preferirá um não acordo a um acordo mau, o líder trabalhista Jeremy Corbyn disse que dará prioridade a um acordo para a área do comércio.

Dada a recusa de May em participar num frente a frente, o programa teve um formato peculiar, com os dois candidatos a responderam às questões em momentos distintos.

Um dos membros da audiência acusou Corbyn de ter uma “política de visão curta”, por pretender aumentar os impostos às grandes empresas e aplicar um imposto para as escolas privadas. “Este país está erradamente dividido entre os mais ricos e os mais pobres”, afirmou o líder trabalhista, respondendo com uma nova questão: se o inquiridor estava contente com crianças a irem para a escola com fome e a frequentarem turmas demasiado grandes?

Outro membro do público acusou-o de, numa anterior campanha, ter participado numa comemoração com membros do IRA. Corbyn explicou que nos anos 1970 e 1980 se esforçou por estabelecer o diálogo, frisando que fez um minuto de silêncio “por todos os que morreram na Irlanda do Norte”.

Relativamente à questão sobre se ordenaria um ataque com drones para combater uma conspiração terrorista, em curso noutro ponto do mundo, para a realização de atentados contra o Reino Unido, Corbyn disse que não podia responder sem conhecer as circunstâncias: “Não se pode responder a uma questão hipoteticamente sem os dados”.

O jornalista Jeremy Paxman perguntou-lhe ainda o motivo pelo qual a abolição da monarquia não consta no seu programa eleitoral. Resposta de Corbyn: “Não está lá porque nós não vamos fazê-lo”, acrescentando que já teve “uma conversa muito simpática com a Rainha”.

Questionada sobre o modo como pretende reformar o sistema de apoios sociais, Theresa May confirmou que tenciona estabelecer um limite para os custos, alegando que o sistema irá colapsar caso não seja alvo de reformas, sem explicar, contudo, qual será esse limite. Ao mesmo tempo, assegurou que irá escutar as organizações de caridade e os eleitores sobre o assunto.

A primeira-ministra defendeu a sua perspetiva de que os reformados mais ricos não devem receber o pagamento total da energia gasta para o aquecimento das suas casas no inverno, referindo que falou com muito reformados que concordam com essa ideia.

Confrontada por Paxman com o facto de anteriormente ter sido contra o Brexit, May disse estar agora empenhada na concretização da vontade expressa pelos eleitores no referendo, manifestando-se convicta de que conseguirão tornar a saída da União Europeia em algo de positivo para os britânicos.

Relativamente à imigração, a líder britânica disse que o país deve concentrar-se nos seus próprios trabalhadores e defendeu que o controlo de imigrantes é uma tarefa complexa que não será concretizada com “uma única medida”, exigindo um “trabalho constante”.