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Dijsselbloem confirma que não vai integrar governo da Holanda

reuters

Escolha do Partido Trabalhista holandês em não fazer parte de um governo “de direita” põe em causa o papel que o ministro de saída tem desempenhado à frente do Eurogrupo

Jeroen Dijsselbloem, o homem que lidera o Eurogrupo desde janeiro de 2013, confirmou que não vai participar num governo "de direita" no seu país-natal, pondo em dúvida o seu futuro enquanto presidente do grupo de ministros das Finanças da zona euro.

Em entrevista ao jornal "Financieele Dagblad", citada pelo "Politico Europe", o homem que, até março, era responsável pelas finanças da Holanda no governo liberal de Mark Rutte diz que é "impensável" a possibilidade de vir a integrar um executivo de partidos de centro-direita e de direita, que estão a negociar uma coligação governamental no rescaldo das legislativas de há dois meses e meio.

"Muitos partidos fecham a porta a outros", declara ao jornal holandês, explicando que o seu Partido Trabalhista decidiu não participar nas conversações atualmente em curso. Sem papel no futuro governo, Dijesselbloem terá de abdicar do cargo de chefe do Eurogrupo – um que, por definição, tem sido ocupado pelo ministro das Finanças em funções de um dos países que integram a moeda a única.

A decisão dos socialistas holandeses surge três meses depois de Dijsselbloem ter comprado uma guerra com os países do sul da Europa, entre eles Portugal, após declarações controversas ao "Financial Times" sobre o comportamento desses países – que, terá dito, gastam o dinheiro em "copos e mulheres" e depois pedem empréstimos ao Banco Central Europeu.

Dijsselbloem sucedeu a Jean-Claude Juncker, o atual presidente da Comissão Europeia, à frente do Eurogrupo em janeiro de 2013. Há um mês, e novamente na semana passada, o Expresso noticiou que o ministro das Finanças português Mário Centeno terá sido sondado para substituir o holandês na liderança dos ministros da zona euro.

Na semana passada, o "Politico" tinha avançado que o recém-eleito Presidente de França, Emmanuel Macron, apresentou propostas para formalizar o grupo de chefes das Finanças que, entre outras, passam pela criação de um orçamento da zona euro gerido por um ministro das Finanças independente. Esta quarta-feira, 31 de maio, é esperado que a Comissão divulgue o seu "documento de reflexão" sobre questões como o orçamento comum dos países da moeda única e se a dívida pública de cada Estado-membro deve ser mutualizada.