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Internacional

Atentado de Manchester. MI5 abre inquérito aos “avisos” sobre autor do ataque

BEN STANSALL

Secreta britânica terá sido alertada pelo menos três vezes sobre as "visões extremistas" do britânico de 22 anos que detonou explosivos no concerto de Ariana Grande, matando 22 pessoas e ferindo 64. Tabloide britânico diz que, em janeiro, o FBI avisou o Reino Unido de que Salman Abedi, estava a preparar um ataque

O MI5 vai abrir um inquérito à forma como a secreta geriu os avisos do público sobre o bombista-suicida Salman Abedi, o britânico de 22 anos com ascendência líbia que, há uma semana, se fez explodir no final do concerto de Ariana Grande na Arena de Manchester, provocando 22 mortos e 64 feridos. De acordo com a BBC, a agência foi alertada pelo menos três vezes para as "visões extremistas" de Abedi. Segundo o "Mail on Sunday", a par desses alertas, também o FBI terá avisado o MI5 em janeiro sobre a possibilidade de o britânico estar a preparar um ataque no Reino Unido.

Na madrugada desta segunda-feira, um homem de 23 anos foi detido em West Sussex sob suspeitas de ligações ao ataque, com a polícia da Grande Manchester a informar os media de que executou mandados de busca em algumas residências da zona metropolitana da cidade, durante a noite passada. No domingo, a polícia tinha detido dois homens, um de 19 e um de 25 anos. Ao todo, 14 pessoas estão a agora ser interrogadas no âmbito da investigação.

O MI5 já lançou um "inquérito pós-incidente" para apurar a forma como o bombista-suicida poderá ter sido ignorado pelas autoridades, com uma investigação paralela a ser preparada pelos ministros e pelos que que supervisionam o trabalho da secreta. Uma fonte da agência já tinha reconhecido há alguns dias que Abedi integrava um "grupo" de ex-pessoas de interesse cujos riscos de radicalização estavam "sujeitos a análise" pelos serviços de segurança.

Nascido em Manchester, filho de pais líbios, quando tinha 16 anos Abedi terá lutado contra o regime de Muammar Kadhafi na Líbia ao lado do seu pai durante as férias de verão da escola. Foi já quando estava a estudar numa faculdade de Manchester que duas pessoas que o conheciam ligaram para a linha de apoio contra o terrorismo para alertar as autoridades para as suas "visões extremistas".

Soldados saem das ruas

Neste momento, a polícia da Grande Manchester está a pedir aos cidadãos que forneçam informações sobre o paradeiro e as movimentações de Abedi desde 18 de maio, o dia em que voltou ao Reino Unido alegadamente vindo da Síria. Antes de partir para a arena de Manchester na segunda-feira passada, Abedi esteve no seu apartamento, onde terá acabado de preparar o engenho explosivo que detonaria no ataque, explicou a polícia. Entre os mortos no ataque de 22 de maio contam-se sete crianças.

A polícia, que pouco depois do ataque explicou haver uma elevada possibilidade de Abedi não ter agido sozinho, diz que está "a fazer bons progressos" na sua investigação, uma que envolve cerca de mil operativos. Até agora, 16 pessoas já foram detidas para interrogatório por suspeitas de ligações ao ataque, embora uma mulher e um rapaz de 16 anos tenham sido libertado pouco depois sem qualquer acusação formal.

Entretanto, o nível de ameaça no Reino Unido voltou a ser reduzido de "crítico" para "grave", antevendo-se que os soldados comecem a ser retirados das ruas de forma gradual a partir desta segunda-feira à noite, depois de a segurança ter sido reforçada no domingo para a maratona de Manchester, que atraiu dezenas de milhares de participantes.