Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Trump prepara-se para “debate bastante robusto” com parceiros do G7 na Sicília

Grande aparato securitário em Taormina por causa da cimeira do G7 esta sexta-feira e sábado

GIOVANNI ISOLINO

Analistas antecipam que o encontro dos líderes das sete maiores economias mundiais e representantes da União Europeia vai ficar marcado por discórdias sobre o combate às alterações climáticas e as trocas comerciais na era da globalização

Depois de ter aproveitado a mini-cimeira da NATO em Bruxelas, na quinta-feira à tarde, para criticar duramente "23 dos 28" Estados-membros da aliança por não contribuírem com 2% do PIB para a defesa comum, Donald Trump vai estar esta sexta e sábado na pitoresca cidade de Taormina, na Sicília, para uma antecipada cimeira do G7.

O encontro entre os líderes das sete maiores economias mundiais — Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos — que integra também representantes da União Europeia, vai encerrar o primeiro périplo do Presidente norte-americano pelo estrangeiro desde que assumiu o poder em janeiro — um que o levou à Arábia Saudita, a Israel, ao Vaticano e à capital belga, que é também o coração político do bloco europeu.

O correspondente da BBC na Sicília, James Landale, antecipa um debate difícil sobre questões como as trocas comerciais num mundo globalizado e o necessário combate às alterações climáticas. Trump tem defendido sempre uma postura protecionista, tendo já suspenso alguns tratados comerciais com aliados específicos, e durante a campanha chegou a dizer que o aquecimento global e as alterações climáticas cientificamente comprovados são um "embuste" criado pela China para destronar a competição e roubar postos de trabalho aos norte-americanos.

Será esperado mais consenso em pontos como o combate ao extremismo violento, numa reunião que acontece poucos dias depois de um atentado suicida em Manchester ter provocado 22 mortos, incluindo crianças, e 64 feridos. Também se antecipa uma discussão séria com o primeiro-ministro nipónico sobre a ameaça da Coreia do Norte por causa dos seus programas nuclear e de mísseis. A BBC aponta que a chefe do governo britânico, Theresa May, vai pedir aos parceiros que façam mais para combater o extremismo e a radicalização online, num discurso em que vai defender que o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) "está a mudar o campo de batalha para a internet" à medida que vai perdendo território no Iraque e na Síria.

A cimeira de dois dias vai ser inaugurada pelas 9h30 locais (8h30 em Lisboa) e nela é esperado que os líderes das outras seis economias e da UE exerçam pressões sobre Trump não só para que não abandone o acordo do clima alcançado em Paris em 2015 mas também para que abandone a sua postura protecionista no mundo globalizado. Esta quinta-feira, citado pela Reuters, o conselheiro económico da Casa Branca Gary Cohn antecipou um "debate bastante robusto" para os próximos dois dias.