Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Rússia investiga perseguição e repressão de gays na Chechénia

Ramzan Kadyrov fotografado com Putin em 2004, depois de o seu pai, Akhmad Kadyrov, então Presidente da Chechénia, ter sido assassinado por rebeldes separatistas

VLADIMIR RODIONOV

“The Guardian” diz que “a escala das detenções e a condenação internacional parecem ter conduzido a uma resposta concertada das autoridades centrais da Rússia” perante as denúncias de tortura, opressão e homicídio de homossexuais na república chechena

Quase dois meses depois de ter sido denunciada a existência de um campo de detenção e repressão de homens gay na Chechénia, as autoridades russas estão ativamente a investigar as alegações, num caso que ameaça a aliança entre o governo de Vladimir Putin e o atual Presidente da República da federação russa, Ramzan Kadyrov, que há mais de uma década abandonou as lutas separatistas na Chechénia para se tornar um aliado próximo do Kremlin.

Num primeiro artigo publicado pelo jornal de investigação "Novaya Gazeta" no início de abril, com informações mais tarde confirmadas pelo "The Guardian", os jornalistas descreviam que dezenas de homens estavam a ser detidos e torturados no âmbito de uma "campanha organizada" pelas autoridades chechenas contra a homossexualidade.

Um de quatro homens que conseguiram escapar ao centro de detenção descreveu na altura ao "The Guardian" que foi sujeito a espancamentos e choques elétricos todos os dias durante a semana em que esteve preso no campo secreto, a algumas dezenas de quilómetros da capital da Chechénia, Grozny. Na altura, Kadyrov minimizou as acusações, dizendo que não está em curso nenhuma "purga" porque "essas pessoas [gays] não existem".

Desde o início da campanha de perseguição, dezenas de homens fugiram ou esconderam-se noutras regiões da Rússia ou noutros países. E ao contrário de outras denúncias de violações de direitos humanos, muitas vezes "ignoradas pelas autoridades federais" russas na Chechénia, desta vez "a escala das detenções e a condenação internacional parecem ter conduzido a uma resposta concertada por parte das autoridades centrais da Rússia", refere esta sexta-feira o "The Guardian".

Num encontro recente com o Presidente russo, a chanceler alemã, Angela Merkel, juntou-se ao coro de críticos, pedindo a Putin que abrisse uma investigação total às denúncias. Elena Milashina, uma das jornalistas do "Novaya Gazeta" que avançou a notícia original, diz que Putin foi informado sobre o assunto pela responsável pelos Direitos Humanos na federação, Tatyana Moskalkova, e que há agora indícios de que os investigadores russos já estão a tentar apurar o que se passa.

"Moskalkova ficou impressionada com a força das provas que temos e falou com Putin sobre isso", explicou a repórter. O jornal britânico diz que outro possível sinal de que o caso está a ser levado a sério pelas autoridades russas é o facto de o investigador responsável por este inquérito, Igor Sobol, ter sido promovido há poucos dias.