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Inquérito Trump-Rússia. Genro do Presidente também está “sob escrutínio do FBI”

MANDEL NGAN / AFP / Getty Images

Investigadores acreditam que Jared Kushner, conselheiro e genro de Donald Trump, tem informações relevantes sobre o alegado conluio entre a equipa do líder norte-americano e o governo russo para influenciar as eleições de 2016. Advogado diz que ele vai colaborar com a agência federal em “qualquer investigação”

Jared Kushner, marido da filha mais velha de Donald Trump que é um dos conselheiros mais próximos do Presidente norte-americano, está "sob escrutínio" do FBI. Os media norte-americanos dizem que Kushner é uma pessoa de interesse na investigação ao alegado concluio entre a equipa de campanha de Trump e o governo russo. As fontes oficiais anónimas citadas pela NBC News dizem que os investigadores acreditam que ele tem informações relevantes para o caso, mas que não é necessariamente suspeito de um crime. O seu advogado já garantiu que ele vai cooperar com as autoridades nessa e em qualquer investigação.

A notícia surgiu na noite desta quinta-feira, numa altura em que Kushner, 36 anos, continua a acompanhar o Presidente no seu primeiro périplo pelo estrangeiro desde a tomada de posse – que já levou Trump à Arábia Saudita, a Israel, ao Vaticano, a Bruxelas – onde participou numa cimeira da NATO – e novamente a Itália, mais precisamente na Sicília, onde esta sexta-feira e sábado vai estar a decorrer um encontro do G7.

O FBI está a analisar a potencial ingerência das autoridades russas nas eleições presidenciais norte-americanas e as alegadas ligações de operativos russos à equipa de campanha do Presidente Trump – que continua a desmentir qualquer conluio com elementos ligados a Vladimir Putin, dizendo-se vítima da "maior caça às bruxas de um político na História americana". As agências de informação norte-americanas acreditam que Moscovo tentou influenciar a corrida eleitoral a favor do candidato republicano, que contra as sondagens conseguiu derrotar a rival democrata Hillary Clinton, em novembro.

De acordo com as fontes citadas pela NBC, o facto de Kushner estar sob escrutínio não significa que os investigadores suspeitem dele ou pretendam acusá-lo formalmente de algum crime. Paralelamente, outras fontes disseram ao "Washington Post" que os responsáveis pelo inquérito Trump-Rússia estão a concentrar-se nos encontros que Kushner manteve com o embaixador russo nos EUA, Sergei Kislyak, e com um banqueiro de Moscovo, Sergei Gorkov, em 2016. Gorkov é o atual chefe do Vnesheconombank, uma das instituições que foram alvo de sanções impostas pela administração de Barack Obama à Rússia, no rescaldo da anexação da península ucraniana da Crimeia em março de 2014.

As novas informações surgem uma semana depois de o vice-procurador-geral dos EUA, Rod Rosenstein, ter nomeado um antigo diretor do FBI, Robert Mueller, para supervisionar o inquérito Trump-Rússia, dias depois de o Presidente ter despedido o então chefe da agência federal, James Comey, numa altura em que este tinha acabado de pedir ao Departamento de Justiça que alocasse mais fundos para o inquérito em curso. A par desse, também o Congressto está a levar a cabo uma investigação à alegada ingerência russa nas eleições de 2016 e quaisquer ligações do governo de Putin à equipa de Trump.

Neste momento, Kushner já aceitou ir à comissão de serviços de informação do Senado prestar depoimentos sobre os seus contactos recentes com Kislyak e Gorkov. "Kushner já se tinha voluntariado para partilhar com o Congresso o que ele sabe sobre estes encontros", diz esta sexta-feira à BBC Jamie Gorelick, o advogado do marido de Ivanka Trump. "Vai fazer o mesmo se for contactado em relação a qualquer outro inquérito."

No rescaldo do despedimento de Comey no início deste mês, as exigências para que seja aberta uma investigação especial ao Presidente e aos seus associados têm estado a aumentar, sobretudo depois de ter sido revelado que, antes de o demitir, Trump pediu ao então diretor do FBI que abandonasse um outro inquérito em curso às suspeitas de contactos ilegais entre elementos russos e o ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional de Trump, Michael Flynn, que foi forçado a demitir-se em fevereiro depois de os media terem apurado que se encontrou duas vezes com o embaixador russo em dezembro. Entretanto, foi avançado que Flynn ocultou do Pentágono o facto de ter recebido dinheiro de uma empresa russa ligada ao Presidente Putin.