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Mais um jornalista russo encontrado morto a tiro

Corpo de Dmitry Popkov foi encontrado na cidade russa de Minusinsk, com cinco ferimentos de bala. Suspeita-se de homicídio, até porque o editor do jornal “Ton-M” era uma voz incómoda, tendo publicado vários artigos sobre corrupção

Às 23h desta quarta-feira (19h em Lisboa), foram ouvidos sons de tiros em Minusinsk, na região de Krasnoyarsk, na Sibéria. Um vizinho alertou a polícia, que encontrou o corpo do jornalista de 42 anos Dmitry Popkov na casa de banho do seu quintal, "cpm ferimentos de bala", segundo um comunicado do comité de investigação local, citado pela agência de notícias RIA Novosti.

Popkov era editor do jornal "Ton-M" e tinha uma longa tradição de "pressões, processos judiciais e buscas", já que não se coíbia de escrever artigos a denunciar casos de corrupção envolvendo membros do governo de Putin. Mas o jornalista fazia ouvidos moucos. "O nosso jornal há muito se habituou a ser um espinho no pé das autoridades, que já tentaram saltar-nos à garganta de todas as maneiras possíveis", escreveu em 2016. "Não podíamos importar-nos menos com todas as ameaças telefónicas e intimidação, através de buscas e interrogatórios".

Popkov era deputado do Conselho Municipal da sua cidade, pelo Partido Comunista. O ministério do Interior abriu agora uma investigação por homicídio, que "está a considerar várias versões dos motivos deste crime, incluindo a possibilidade de ter sido motivado pelas atividades profissionais da vítima", refere um comunicado.

Este ano, é o segundo jornalista assassinado na Rússia. Em abril, Nikolai Androuchtchenko morreu em São Petersburgo, após um violento ataque.

A Rússia ocupa o lugar 148.º no índice de liberdade de imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras, atrás do México, do Zimbabwe ou da Argélia.