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Internacional

Myanmar reinicia conversações com rebeldes mas deixa de fora conflito que envolve os Rohingya

Aung San Suu Kyi na cerimónia de abertura das conversações de paz em Naypyitaw, Myanmar

SOE ZEYA TUN/REUTERS

Duante cinco dias, a capital de Myanmar (antiga Birmânia) será palco de uma reunião entre os vários grupos rebeldes que têm espalhado a violência no norte do país. Aung San Suu Kyi vai estar presente

A líder Aung San Suu Kyi iniciou uma nova ronda de negociações para discutir o processo de paz que visa pôr fim a vários meses de intensos conflitos regionais em Myanmar.

A partir desta quarta-feira, e durante os próximos cinco dias, representantes dos maiores grupos étnicos do país vão estar reunidos numa conferência a decorrer em Naypyidaw.

Na anterior ronda de negociações, em agosto de 2016, organizada pelo partido de Suu Kyi Liga Nacional pela Democracia (LND), houve grande otimismo mas pouco se avançou desde que a prémio Nobel da Paz chegou ao poder, há mais de um ano.

Um dos maiores obstáculos a estas negociações de paz é o acordo de cessar fogo, que ficou conhecido como Acordo de Cessar-Fogo Nacional (ACN), e fora negociado pela anterior administração de Myanmar. Apenas oito dos grupos étnicos armados assinaram este acordo e, segundo Richard Horsey, analista e antigo diplomata das Nações Unidas, em declarações à Reuters, “é improvável que novos grupos assinem o ACN, mas será discutido um conjunto de pontos potencialmente consensuais”.

Sem a presença de todos os grupos étnicos na reunião, “não serão tomadas decisões sobre assuntos importantes”, disse à Al Jazeera Sai Kyaq Nyunt, um membro do LND.

Entre os “convidados especiais” presentes nestas conversações vão estar sete grupos que não assinaram o acordo de cessar-fogo proposto pelo Governo. Outros três grupos participantes nesta ronda tinham sido excluídos das anteriores negociações de paz.

Violência sobre Rohingya fora das negociações

Vários grupos armados queixaram-se que Aung San Suu Kyi não tem escutado as suas preocupações e que tem mantido uma relação demasiado próxima com os militares que governam o país com braço de ferro há quase meio século.

Quando tomou a dianteira do processo de paz, no ano passado, Suu Kyi desativou um centro de paz criado pelo anterior Governo e que tinha como objetivo manter conversações com os rebeldes. Especialistas acreditam que esta ação feriu de morte a confiança entre as partes, que vinha a ser construída ao longo dos anos.

Entre os temas que serão alvo de discussão destaca-se a possibilidade dos estados que compõem Myanmar poderem vir a elaborar as suas próprias constituições e o estatuto religioso, avanços que alguns caracterizam como um “marco histórico” no país.

A conferência, que decorre até domingo na capital Naypyidaw, surge num momento em que se regista um nível violência no nordeste do país a que não se assistia desde o auge do conflito interno nos anos de 1980.

Dezenas de milhares de pessoas foram forçadas a fugir nos últimos meses - muitas para a vizinha China - devido a intensos combates entre o exército de Myanmar e grupos rebeldes.

O conflito em Rakhine, estado no noroeste do país, já obrigou 75 mil muçulmanos da minoria religiosa Rohingya a fugir para o Bangladesh, tentando escapar a terríveis atrocidades atribuídas aos militares. A violência neste estado - que deu origem a uma investigação das Nações Unidas, em março passado, a alegados crimes contra a população Rohingya - não será discutida durante os cinco dias de negociações.