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Internacional

Ex-Presidente da Coreia do Sul começa a ser julgada

Ahn Young-Joon

Park Geun-hye começou esta terça-feira a ser julgada em Seoul por 18 alegados crimes que levaram à sua destituição em março. A ex-presidente enfrenta prisão perpétua. O herdeiro e atual diretor interino da Samsung está entre as dezenas de suspeitos de envolvimento no escândalo de corrupção

Park Geun-hye, a primeira mulher a ser eleita Presidente da Coreia do Sul que foi destituída do cargo no início de março por suspeitas de corrupção, declarou-se inocente na sua primeira audiência judicial esta terça-feira de manhã. A ex-Presidente enfrenta 18 acusações formais, de suborno, abuso de poder e revelação de segredos de Estado, delineadas num documento de cerca de 120 mil páginas, avançam os media sul-coreanos.

Na sua primeira aparição pública desde que foi detida no final de março, Park surgiu algemada numa carrinha dos serviços prisionais à chegada ao tribunal de Seul responsável pelo processo. O Código Penal sul-coreano prevê a prisão perpétua como pena máxima por corrupção.

Park é acusada de agir em conluio com uma amiga próxima, Choi Soon-il, para extorquirem dinheiro a algumas das maiores empresas sul-coreanas, entre elas a Samsung, em troca de favores políticos. Choi também está a ser julgada pelos mesmos crimes e, esta manhã, ao lado da ex-líder sul-coreana no banco dos réus, voltou a declarar-se inocente.

Na abertura do julgamento em Seul, os advogados de Park alegaram que "não havia razões para a Presidente Park forçar as empresas a doarem dinheiro que ela não podia usar em benefício próprio". A procuradoria diz que Park é culpada de autorizar Choi a usar as suas ligações à Presidência para pressionar as empresas a darem dinheiro a uma fundação que ela criou, conseguindo com esse esquema angariar dezenas de milhões de euros. Em troca dos pagamentos, as empresas receberiam tratamento privilegiado do governo.

Park também é acusada de patrocinar fugas de informação envolvendo segredos de Estado por ter dado a Choi acesso ao seu trabalho (enquanto Presidente, terá pedido à amiga até para editar os seus discursos públicos) e de ter criado uma lista negra com centenas de pessoas do mundo das artes e do entretenimento para as impedir de receberem apoios estatais por criticarem o seu governo.

Park é a terceira líder da História da Coreia do Sul a ser julgada por corrupção, mas a primeira democraticamente eleita a enfrentar a Justiça. Os dois anteriores casos, resolvidos no mesmo tribunal de Seul, envolveram ex-ditadores militares que foram condenados por corrupção nos anos 1990.

Neste momento, as autoridades sul-coreanas estão a investigar ou já detiveram dezenas de pessoas por suspeitas de ligações ao escândalo. Todas dizem estar inocentes. Choi começou a ser julgada em dezembro. A sua filha, Chung Yoo-ra, foi detida na Dinamarca em janeiro sob suspeitas de ter gozado de um favor do governo de Park, que lhe permitiu entrar na universidade que queria.

A par delas, o diretor interino do Grupo Samsung, Lee Jae-Yong, e outros quatro executivos da gigante tecnológica também estão a ser julgados pelo alegado pagamento de subornos a Park e a Choi em troca do apoio do governo num controverso negócio de fusão. O ex-ministro da Saúde, Moon Hyung-pyo, e o responsável pelo departamento de investimentos do Serviço Nacional de Pensões, Hong Wan-seon, estão no banco dos réus por alegadas pressões no organismo público para que as chefias aceitassem essa fusão. (Na semana passada, dois cirurgiões plásticos que operaram a ex-Presidente, entre outras formas através de injeções de extratos de placenta humana na cara de Park, foram condenados por terem mentido sobre essas cirurgias.)