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Defesa de Temer desiste de suspensão da investigação

Temer não renuncia e desafia críticos e adversários: “Se quiserem, derrubem-me”

Foto Joedson Alves/EPA

Advogados de Michel Temer desistiram do recurso apresentado sábado no Supremo Tribunal para suspender a investigação até que a gravação do empresários Joesley Batista fosse sujeita a peritagem. Aliados do PSDB e DEM adiam para junho decisão sobre apoio a Temer.

A defesa do presidente brasileiro desistiu na tarde de segunda-feira do recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal para suspender a investigação até que a gravação feita pelo empresário Joesley Batista fosse analisada por peritos.

Em causa, está a suposta edição do áudio onde Temer é ouvido a concordar com o pagamento do silêncio ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, preso no âmbito da Lava Jato. “Tem que manter isso aí”, é a expressão mais polémica da gravação feita pelo dono da JBS e entregue à Procuradoria Geral da República (PGR) no âmbito de um acordo de “delação premiada”.

Uma denúncia que levou o STF a abrir uma investigação sobre Temer por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à justiça na quinta-feira, 18 de maio e deu origem à mais grave crise enfrentada pelo atual presidente.

A decisão dos advogados surge após a decisão do juiz do Supremo Tribunal, Edson Fachin, ter enviado o áudio comprometedor para os laboratórios da Polícia Federal. O advogado Gustavo Guedes declarou-se satisfeito com o envio do áudio para os laboratórios federais e disse que Michel Temer quer ver caso elucidado e resolvido o mais rapidamente possível. Em declarações à imprensa depois de ter estado reunido com o juiz Edson Fachin, Gustavo Guedes anunciou ainda que a defesa contratou uma perícia particular sobre a polémica gravação. O perito contratado pela defesa de Temer, Ricardo Molina, disse à Agência Brasil que a gravação feita pelo empresário Joesley Batista é “imprestável como prova”.

A questão da eventual manipulação da gravação foi levantada este sábado por um artigo na “Folha de São Paulo” e serviu de argumento para a declaração ao país feita por Michel Temer no mesmo dia. Aliás, foi também no sábado que a defesa apresentou o recurso no STF. Uma opção editorial vinda de um jornal considerado aliado do governo Temer e que ajudou a destituir Dilma Rousseff. O artigo da “Folha” com base num perito contratado foi “arrasado” no dia seguinte por “O Globo”, outro jornal cuja linha editorial até agora apoiou Michel Temer.

A apreciação do recurso pelo plenário do STF estava marcada para amanhã quarta-feira, dia em que vários partidos aliados do PMDB de Temer tinham marcado para discutir se mantêm o apoio ao presidente. Segundo a edição brasileira do El País, o PSDB e o DEM, dois dos principais partidos aliados decidiram adiar a decisão sobre o apoio a Temer para depois do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O julgamento começa a 6 de junho e Temer enfrenta em conjunto com Dilma Rousseff um pedido de destituição por irregularidades no financiamento da campanha eleitoral de 2014.

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