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Depois de visitar a Arábia Saudita, Trump chega a Israel com plano indefinido

Em fevereiro, Netanyahu foi recebido por Trump na Casa Branca

Pool

Numa altura em que se marcam os 50 anos da ocupação da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental pelas forças hebraicas, o novo Presidente dos EUA vai encontrar-se com líderes dos dois lados para negociar o “derradeiro acordo” de paz

Donald Trump já aterrou no aeroporto de Ben Gurion, em Telavive, para dois dias de encontros com líderes israelitas e palestinianos, naquele que é o seu primeiro périplo internacional desde que tomou posse a 20 de janeiro. O Presidente norte-americano voou para a capital de facto de Israel a partir da Arábia Saudita, um aliado-chave dos EUA com o qual acabou de firmar um acordo de armamento avaliado em 110 mil milhões de dólares (cerca de 98 mil milhões de euros).

Depois de ter vencido as eleições de novembro, o empresário tornado Presidente chegou a classificar um futuro acordo de paz entre israelitas e palestinianos como "o derradeiro acordo", mas desde então tem sido vago sobre o que irão envolver os seus esforços, 50 anos depois de as forças hebraicas terem ocupado a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, territórios que os palestinianos clamam para o seu futuro Estado.

Desde a ocupação de 1967, mais de 600 mil judeus e israelitas mudaram-se para cerca de 140 colonatos hebraicos nos territórios ocupados da Palestina. Os colonatos são tidos como ilegais à luz do direito internacional, uma acusação que as forças da ocupação continuam a refutar até hoje.

Para Trump, o conflito deve ser resolvido pelos dois lados em conversações diretas, uma rota seguida por anteriores administrações norte-americanas que nunca chegou a gerar frutos. O novo líder dos EUA, o grande aliado de Israel, é tido como mais favorável ao Estado hebraico do que o seu antecessor, Barack Obama; pouco depois de ter tomado posse, Trump assumiu uma posição mais suave quanto aos colonatos ilegais, sugerindo que é a sua expansão e não a sua existência que pode arruinar uma potencial solução para a paz.

Em Jerusalém vendem-se t-shirts com um Trump pró-Israel e um Obama pró-Palestina

Em Jerusalém vendem-se t-shirts com um Trump pró-Israel e um Obama pró-Palestina

AHMAD GHARABLI

"O Presidente", avança a BBC esta segunda-feira, "tem também enviado sinais confusos quanto à questão de Jerusalém", um dos pontos de maior contenda no conflito, cidade que tanto os israelitas como os palestinianos querem como sua capital. Quando anunciou que o novo embaixador dos EUA para Israel ia ser David Friedman, um advogado que defende a "legalidade" dos colonatos hebraicos, Trump sugeriu que poderia vir a mudar a morada oficial da representação diplomática de Telavive para a disputada cidade. Desde então, nunca mais se manifestou sobre o assunto, com Rex Tillerson, o seu secretário de Estado, a dizer recentemente à NBC News que o Presidente está a ponderar sobre o assunto.

Os israelitas defendem que a totalidade de Jerusalém é sua, mas a comunidade internacional não reconhece a soberania hebraica sobre a cidade, o que até hoje tem forçado o país a manter as embaixadas em Telavive. Os palestinianos reinvidicam a parte oriental da cidade para si como capital de um futuro Estado independente, uma exigência que ganhou força com os Acordos de Oslo de 1993 mas que Israel continua a não aceitar nem a respeitar.

Trump chegou esta segunda-feira aos territórios em conflito vindo de Riade, capital da Arábia Saudita, onde num discurso dirigido a líderes árabes e muçulmanos lhes pediu que liderem o combate ao extremismo islâmico e que expulsem os radicais "desta terra". Nesse discurso, o líder norte-americano destacou o Irão por estar a "alimentar os fogos de conflitos sectários e do terrorismo" na região ao longo de décadas. Na mesma comunicação, voltou a sublinhar que acredita ser possível alcançar um acordo de paz israelo-palestiniano.

A visita oficial de Trump acontece depois de ter sido revelado que foi Israel quem passou aos EUA as informações confidenciais sobre o Daesh, que o líder norte-americano partilhou sem pudores com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia e com o embaixador do país em Washington num encontro recente na Casa Branca – pondo em risco as relações entre os dois aliados. A par disso, tem havido alguma consternação em Israel antes da chegada de Trump por causa de recentes declarações do governo norte-americano sobre a questão de Jerusalém.

Na entrevista de Tillerson à NBC, o chefe da diplomacia reconheceu que mudar a embaixada dos EUA para aquela cidade pode destruir o processo de paz, uma posição que o primeiro-ministro de Israel, o nacionalista Benjamin Netanyahu, condenou de imediato. Logo a seguir, um funcionário do consulado americano deitou mais lenha para a fogueira quando declarou que o Muro das Lamentações, um dos sítios mais sagrados do Judaísmo, "não faz parte do território [israelita] mas sim da Cisjordânia". A Casa Branca de Trump garantiria depois que os comentários do diplomata "não representam a posição dos EUA".

A agenda de Trump para os próximos dias

Depois de ter estado dois dias na Arábia Saudita, Trump chega a Israel antes de seguir para Bruxelas, para o Vaticano e para a Sicília. O seu périplo de oito dias, naquelas que são as suas primeiras viagens oficiais ao estrangeiro desde que chegou ao poder há quatro meses, acontece num momento de alta tensão política nos EUA, com as suspeitas de conluio entre a equipa do Presidente e o governo russo de Vladimir Putin a subirem de tom depois de Trump ter despedido o diretor do FBI, James Comey, dias depois de este ter pedido mais fundos ao Departamento de Justiça para acelerar o inquérito Trump-Putin. Eis a agenda do Presidente para os próximos dias:

Segunda e terça-feira, 22 e 23 de maio - Trump estará em Telavive e em Jerusalém, antes de visitar a Cisjordânia amanhã

Quarta e quinta-feira, 24 e 25 de maio - Depois de uma passagem por Roma, onde vai encontrar-se com o Papa Francisco, Trump segue para Bruxelas, onde na quinta-feira vai participar numa cimeira da NATO

Sexta-feira, 26 de maio - a semana de viagens será concluída na Sicília, onde vai estar a decorrer um encontro dos membros do G7

  • EUA e Arábia Saudita acusam Irão, o “ponta de lança do terrorismo mundial”

    O Irão é o “ponta de lança do terrorismo mundial”, declarou este domingo o rei Salman, da Arábia Saudita, na cimeira entre os países muçulmanos e os Estados Unidos. Já Teerão acusa Riade de patrocinar o extremismo islâmico no Médio Oriente. Trump alinha com Riade: “Tudo o que está a acontecer na Síria é culpa do regime iraniano”