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“Tem que manter isso”, diz Temer. Supremo brasileiro revela gravação

O audio da conversa em que supostamente o Presidente brasileiro autoriza o pagamento de subornos a Eduardo Cunha, a troco do seu silêncio, já circula nos media. Temer anunciou esta tarde que não renunciará, mas a pressão para que o faça aumenta a cada minuto

“Tem que manter isso”. Esta é a frase proferida por Michel Temer numa conversa com o empresário Joesley Batista, e que muitos acreditam lhe pode custar a Presidência do Brasil. É a passagem em que supostamente autoriza o pagamento de subornos a Eduardo Cunha – preso desde agosto no âmbito da Lava Jato e considerado um dos arquitetos da destituição de Dilma Rousseff - algo que esta tarde o Presidente garantiu nunca ter feito.

O audio foi agora tornado público pelo Supremo Tribunal do Brasil. São cerca de 39 minutos de gravação, dos quais os momentos mais comprometedores estão a ser reproduzidos em quase todos os meios brasileiros, fazendo crescer a pressão sobre Temer.

“Estamos junto aí. O que o senhor precisar de mim, me fala”, diz a certa altura o empresário, ao que Temer responde: “O Eduardo resolveu me fustigar”.

Mais à frente, Joesley continua: “Agora... o negócio dos vazamentos. [...]Eu tô de bem com o Eduardo...” O Presidente brasileiro diz então ao empresário que “tem de manter isso”, o que ele acata, respondendo que “todo mês, também, eu estou segurando as pontas, estou indo”.

Esta tarde, já depois de ter sido anunciada a existência do audio, o Presidente afiançou nada ter a esconder, negando ter autorizado que “pagassem a quem quer que seja para que ficasse calado”.

“Não renunciarei, repito, não renunciarei”, afirmou, embora nas ruas se ouça cada vez mais alto o pedido para que se afaste.

A gravação disponibilizada é uma das que o empresário Joesley Batista entregou ao mInistério Público no âmbito do acordo de delação. O teor da conversa pode configurar crime de obstrução à justiça e permitir abrir um processo de destituição por crime de responsabilidade, salientavam ao longo do dia os especialistas jurídicos.

Em cima da mesa estão três cenários: “abertura de processo de destituição no Supremo Tribunal por crime de responsabilidade; renúncia; ou processos-crime simples junto no STF”, de acordo com Óscar Vilhena Vieira, diretor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas.