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Internacional

Trump alivia sanções ao Irão apesar das críticas ao "pior acordo de sempre"

Alguns democratas já falam abertamente de dar início ao processo de destituição de Trump

NICHOLAS KAMM

Depois de ter feito campanha pelo fim do acordo alcançado por Barack Obama com Teerão em 2015, o agora Presidente dos EUA expandiu o alívio das sanções ao país, embora tenha aplicado novas a dois indivíduos específicos e a empresas que estão ligadas ao programa nuclear iraniano

A Casa Branca expandiu o alívio das sanções ao Irão apesar de Donald Trump ter passado meses a criticar o acordo que a administração Obama e outras cinco potências mundiais alcançaram com o país em 2015 para controlar e limitar o seu programa nuclear.

O alívio das sanções é uma parte crucial daquele que o atual Presidente chegou a classificar como "o pior acordo de sempre". Apesar do passo, o Tesouro norte-americano emitiu novas sanções contra indivíduos específicos do Irão e contra empresas chinesas por ligações a esse programa militar iraniano. Por causa disso, as empresas norte-americanas continuam proibidas de negociar com o Irão para já.

Sob o acordo alargado esta quarta-feira pelo atual governo, Teerão comprometeu-se a restringir as suas atividades nucleares, a reduzir a quantidade de urânio enriquecido e a produção de plutónio e a autorizar o acesso de inspetores independentes às suas infraestruturas.

As novas sanções têm como alvos dois oficiais do Ministério da Defesa iraniano e fornecedores de equipamentos de mísseis, no que os media dizem ter surgido em retaliação ao recente teste de míssil executado pelas autoridades iranianas e ao apoio de Teerão ao Presidente da Síria, Bashar al-Assad.

Os cidadãos e entidades dos EUA passam assim a estar proibidos de fazer negócio com as pessoas e as empresas envolvidas. Pelo contrário, a Casa Branca não avançou para já com a renovação das sanções mais abrangentes que a anterior administração aprovou contra o Irão — sanções que não são permanentes e que vão expirar esta semana.

Esta é a primeira vez que Donald Trump é forçado a lidar com esta questão, depois de Barack Obama ter renovado o acordo nuclear com o Irão pouco antes de abandonar a Casa Branca. Trump tem repetido avisos a Teerão por causa da sua atividade de mísseis desde que chegou ao poder, depois de, durante a campanha eleitoral, ter chegado a garantir que a sua "prioridade número um" caso fosse eleito seria "desmantelar o desastroso acordo".

Para as nações que firmaram esse tratado, entre elas a China, a Rússia e o Reino Unido, esta é a melhor forma de impedir que o país desenvolva armas nucleares. Desde a tomada de posse de Trump, a administração tem certificado o Congresso de que Teerão está a respeitar o acordo (algo que o governo tem de fazer a cada 90 dias). Apesar disso, em abril o Presidente ordenou que o acordo fosse revisto e o Secretário de Estado, Rex Tillerson, sublinhou que o Irão "continua a ser um Estado patrocinador de terrorismo, através de inúmeras plataformas e métodos", com o intuito de "desestabilizar o Médio Oriente".