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Internacional

Líder rebelde foge de prisão na República Democrática do Congo

Além de Joseph Kabila, forças de segurança dizem que ataque à prisão de Makala pode ter resultado na fuga de mais de 3000 prisioneiros

O líder de um movimento rebelde, que instigou um levantamento contra o Presidente da República Democrática do Congo (RDCongo) Joseph Kabila, fugiu esta quarta-feira da prisão central de Makala, em Kinshasa, durante um ataque ao estabelecimento prisional, onde dezenas de pessoas podem ter perdido a vida. As autoridades falam na fuga de 50 prisioneiros, mas forças de segurança adiantaram à BBC que podem ter conseguido escapar mais de 3000 detidos.

A data escolhida para a fuga foi simbólica, pois coincidiu com um dia feriado no país, marcando o vigésimo aniversário da queda do ditador Mobutu Sese Seko e a chegada ao poder do líder rebelde Laurent Kabila, pai de Joseph Kabila.

"Os apoiantes do movimento Bundu Dia Kongo atacaram (...) a prisão de Makala, conseguindo a fuga de cinquenta prisioneiros, incluindo o seu líder, Ne Muanda Nsemi. A polícia perseguiu os atacantes", disse à agência de notícias AFP o porta-voz do Governo congolês, Lambert Mende.

Mais tarde, um responsável da cidade-província de Kinshasa declarou à AFP, sob condição de anonimato, que três prisioneiros condenados por ligações ao assassinato do pai de Kabila em 2001, entre os quais o seu secretário pessoal, estão entre os fugitivos.
"O pavilhão das mulheres está vazio. Todas as presas escaparam", acrescentou o responsável, sem especificar o número de mulheres detidas em Makala.

Ne Muanda Nsemi é o líder do Bundu Dia Kongo (BDK, "Reino do Congo" em kikongo), do movimento político-religioso que defende a separação do Congo Central (província no oeste da RDC), e acusado de uma série de ataques contra funcionários do estado em janeiro e fevereiro de 2016.

Nsemi foi preso no início de março, após duas semanas de cerco à sua residência em Kinshasa.

O líder da BDK já havia apelado à uma revolta contra Kabila depois de uma tentativa fracassada de reconciliação com o chefe de Estado no final de 2016.

Kabila sucedeu ao seu pai em janeiro de 2001, tendo sido eleito Presidente em 2006 e reeleito em 2011, numa votação marcada por alegadas fraudes.

O mandato de Kabila terminou em dezembro e a constituição do país proíbe que o Presidente concorra novamente ao cargo, mas o chefe de Estado continua à frente do país depois de uma decisão controversa do Tribunal Constitucional.