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Kevin McCarthy: “Acho que Putin paga a Trump”

Os republicanos Kevin McCarthy (esq) e Paul Ryan

Win McNamee

“Washington Post” ouviu (e confirmou autenticidade) de uma gravação de 2016 em que o republicano Kevin McCarthy é ouvido a dizer a colegas do partido que "acha" que o líder russo comprou o atual Presidente dos EUA

Antes de Donald Trump vencer as primárias do Partido Republicano para disputar a Casa Branca com Hillary Clinton, o líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes disse a colegas do partido que "acha" que Vladimir Putin tem o agora Presidente dos EUA comprado.

Numa gravação ouvida pelo "Washington Post", cuja autenticidade foi comprovada pelo jornal, Kevin McCarthy é ouvido a dizer a outros legisladores do seu partido "Acho que há duas pessoas a quem Putin paga: [o representante republicano Dana] Rohrabacher e Trump" — antes de ser interrompido por Paul Ryan, presidente da Câmara dos Representantes desde 2015.

Rohrabacher, sublinha o WaPo, é conhecido por ser um dos mais ferverosos defensores de Putin e do Presidente americano no Congresso. Na mesma gravação, Ryan é ouvido a interromper McCarthy para o impedir de elaborar a alegação e a pedir de seguida aos republicanos presentes que não contem o que ouviram a ninguém.

Antes do pedido de Ryan, alguns legisladores riem-se da acusação de McCarthy, ao que este responde de imediato: "Juro por Deus." Logo a seguir, o chefe da câmara baixa do Congresso é ouvido a dizer que aquela discussão deve ser mantida em segredo. "Sem delações... Só assim sabemos que somos uma verdadeira família aqui."

A conversa aconteceu horas depois de os dois republicanos terem concluído reuniões distintas com o primeiro-ministro da Ucrânia, Vladimir Groysman, no Capitólio; nos dois encontros, Groysman descreveu como o Kremlin segue a prática de financiar políticos populistas em países do leste europeu para minar as instituições democráticas das ex-nações soviéticas.

As reuniões e a conversa entre os republicanos tiveram lugar pouco depois de o "Washington Post" ter revelado que hackers pagos pelo governo russo tinham acabado de penetrar os sistemas informáticos da Comissão Nacional Democrata — uma suspeita de ingerência no processo eleitoral norte-americano que, na altura, levou a administração de Barack Obama a aprovar novas sanções contra Moscovo e que está atualmente a ser investigada pelo FBI e pelo Congresso, bem como as suspeitas de conluio entre a equipa de campanha do atual Presidente e o governo de Putin.

A conversa citada pelo "Washington Post" (pode ler uma transcrição aqui) surge numa altura em que o Partido Republicano enfrenta um momento decisivo, entre manter a estratégia de compartimentação e o apoio ao seu Presidente ou reconhecer que já há dúvidas suficientes em torno da legitimidade e reputação de Trump para avançar com um inquérito por obstrução à Justiça — em particular por ter despedido James B. Comey, diretor do FBI, dias depois de ester pedido mais fundos ao Departamento de Justiça para acelerar a investigação Trump-Rússia.

Esta quinta-feira, o Partido Democrata apresentou uma petição na Câmara dos Representantes para que o Congresso vote uma lei que permita criar uma comissão de inquérito a Donald Trump que pode levar à sua destituição. De acordo com o "Washington Examiner", dois legisladores republicanos já deram o seu apoio à moção, mas para que esta avance, é preciso que outros 22 congressistas do partido no poder se alinhem com os democratas.

Pouco depois do anúncio da oposição, o Departamento de Justiça anunciou que um antigo chefe do FBI, Robert Mueller, vai supervisionar o inquérito da agência à ingerência russa e às ligações do Presidente Trump a Moscovo no rescaldo do despedimento de Comey para garantir uma investigação independente.