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Internacional

Acidentes de viação são a principal causa de morte de adolescentes a nível global

Jovens choram a morte de companheiros mortos num acidente em Copenhaga, Dinamarca

Bax Lindhardt / EPA

Os adolescentes são o foco de um estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde que defende uma abordagem integrada desta fase única do desenvolvimento humano. Os contextos e sociedades são fundamentais para o acesso a cuidados de saúde

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Mais de um 1,2 milhões de adolescentes de ambos os sexos morrem anualmente na sua maioria de causas evitáveis como saúde mental, má nutrição, saúde reprodutivoa e violência, revela um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Investir na saúde do adolescente permite obter um tiplo benefício porque se fica de imediato com um adolescente mais saudável, o qual se torna depois no futuro um adulto mais saudável e com maior capacidade reprodutiva, e aqueles que tiverem filhos serão um progenitor mais saudável. E ter um progenitor saudável influencia uma criança saudável”, comentou David Ross, o principal autor do estudo, citado pelo diário “The Guardian”.

A investigação da OMS decorreu ao longo de 2015 e apurou que a principal causa de morte entre jovens com idades entre os 15 e os 19 anos são problemas com a gravidez, mas o que mais mata os jovens estudados com idades entre os dez e os 19 anos são acidentes de viação. Neste grupo etário, as dez causas de morte que se seguem em importância são a sida/IVH, auto-mutilação, infeções respiratórias, violência interpessoal, diarreias, meningite, epilepsia, doenças endócrinas, de sangue e imunidade.

O estudo sublinha que a adolescência é uma fase chave do desenvolvimento humano que difere de todos os outros grupos da população: “As rápidas alterações biológicas e psicossociais que ocorrem durante a segunda década de vida afetam todos os aspetos dos adolescentes. Estas alterações fazem da adolescência um período único na vida, bem como um tempo importante para lançar as fundações da boa saúde do adulto”, lê-se no texto do estudo.

Tratar os adolescentes como crianças velhas ou jovens adultos não funciona, lê-se no documento, que sublinha a importância de uma abordagem mais integrada da saúde do adolescente, a qual atribua a devida importância a fatores como a educação, oportunidades de emprego e apoio familiar e social.

A vulnerabilidade deste grupo da população torna os cuidados tanto mais necessários. Apesar disso, a OMS revela que os adolescentes são um dos grupos menos bem assistidos pelos serviços de saúde existentes em todo o mundo. No que respeita esta classe etária, a OMS identifica as áreas mais prementes de assistência nos países que trabalham para ter uma cobertura de saúde universal: sida/IVH, prevenção da violência, cuidados maternos, saúde mental, consumo de substâncias, nutrição, atividade física, controlo do tabagismos, gestão integrada das condições comuns e imunização.

“Os adolescentes são atores da mudança social e não simples beneficiários de programas sociais”, adianta o documento.