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Internacional

Empresa farmacêutica investigada por aumentar preço de medicamentos oncológicos

A Aspen Pharma está sob suspeita. A Comissão Europeia quer perceber se a empresa tirou partido da sua posição no mercado, aumentando o preço de cinco medicamentos utilizados no combate ao cancro

A Comissão Europeia abriu uma investigação contra a farmacêutica Aspen Pharma, para determinar se a empresa tirou proveito da sua posição no mercado, ao subir de forma injustificada o preço de cinco medicamentos contra o cancro. A investigação, anunciada esta segunda-feira) decorrerá em 30 países do Espaço Económico Europeu.

Margrethe Vestager, comissária europeia da Concorrência, avançou que "quando o preço de um medicamento aumenta de repente, a Comissão tem que investigar os motivos".

Os medicamentos em questão são compostos por clorambucil, melfalano, mercaptopurina, tioguanina e busulfan, todos eles utilizados para combater tumores hematológicos, como a leucemia.

Bruxelas suspeita que a empresa tirou partido da sua posição dominante no mercado e que também recorreu a chantagem para que houvesse um aumento dos preços. De acordo Margrethe Vestager, citada pelo “El Pais”, "para impor tais aumentos de preço, a Aspen ameaçava retirar o produto em alguns estados membros e chegou a fazê-lo em certos casos".

A estratégia da empresa farmacêutica consistiu, alegadamente, em provocar uma escassez deliberada dos medicamentos, para obrigar as autoridades médicas nacionais a importá-los de outros países, e desta forma impor o aumento dos preços.

A Comissão Europeia considera que a empresa ultrapassou a fronteira entre ver recompensados os seus esforços e a expetativa de obter um lucro maior, em detrimento de uma doença mortal.

A empresa farmacêutica, Aspen Pharma, dirige as suas operações na Europa, desde Dublin. Como exemplo das suas ações, o diário britânico The Times, mostra-nos o aumento do preço de busulfan em Inglaterra e Gales, que passou de 5,20 libras (um pouco mais de 6 euros) para 65,22 libras (quase 77 euros), em 2013; e o clorambucil, de 8,36 (9,80 euros) para 40,51 libras (mais de 47 euros).

O anúncio do início da investigação, por parte da Comissão Europeia, afetou já a empresa. As suas ações na bolsa de Johannesburgo caíram cerca de 4%.