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Internacional

Depois de despedir Comey, Trump prepara “grande” purga na Casa Branca

Sean Spicer (esq) e Reince Priebus estão na linha da frente para serem despedidos, dizem fontes da Casa Branca

Chip Somodevilla

O porta-voz Sean Spicer e o chefe de gabinete Reince Priebus estão entre os potenciais demitidos, apontam Mike Allen e outros jornalistas norte-americanos. O Presidente “está frustrado e zangado com toda a gente” e quer encontrar um bode expiatório, diz uma das fontes citadas nos media

Donald Trump está alegadamente a considerar executar uma "purga" na Casa Branca para "relançar" a sua equipa depois daquela que está a ser considerada a pior semana da sua presidência desde que chegou ao poder no final de janeiro, após ter despedido o diretor do FBI, James Comey, em plena investigação às suspeitas de conluio entre a sua equipa e o governo da Rússia.

A informação foi avançada por várias fontes políticas ao "Washington Post" e a outros media no domingo à noite; dizem que o Presidente ficou surpreendido com as reações ao despedimento de Comey e que, perante as pressões que está a sentir por suspeitas de tentar inferferir na investigação em curso, está à procura de alguém que possa culpar e despedir. Entre os nomes citados contam-se o de Sean Spicer, o combativo porta-voz da Casa Branca, e Reince Priebus, chefe de gabinete de Trump.

"Ele está frustrado e zangado com toda a gente", disse uma fonte ao jornalista Mike Allen, acrescentando que o Presidente que reagir "em grande" depois de ter sido comparado a Richard Nixon — o único líder da História dos EUA que abdicou da presidência e que, um ano antes disso, demitiu o procurador especial nomeado para conduzir uma investigação à sua pessoa no âmbito do caso Watergate. "A questão é quão grande e quão ousada" será a sua reação, acrescenta a mesma fonte.

Neste momento, e numa altura em que aumentam as suspeitas de que este poderá ser o início do fim do governo Trump, a Casa Branca está sob enorme pressão dos democratas e também de legisladores republicanos para explicar porque é que Comey foi despedido e para divulgar potenciais gravações que tenha de conversas entre o ex-diretor do FBI e membros da administração, incluindo o Presidente — após o próprio Trump ter feito uma ameaça velada no Twitter sobre essas gravações.

No domingo, a oposição manteve a pressão ao governo, com o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, a sugerir que o partido pode vir a boicotar a nomeação de um novo diretor do FBI até que um procurador especial seja nomeado para avançar com a investigação Trump-Rússia. "Se tivermos um procurador especial, as pessoas vão suspirar de alívio, porque aí haverá de facto uma pessoa realmente independente a supervisionar o diretor do FBI", disse Schumer à CNN.

Também entre os republicanos, estão a aumentar as exigências a Trump para que entregue ao Congresso as alegadas gravações de conversas com Comey, cuja existência foi sugerida pelo próprio Presidente numa aparente ameaça ao ex-diretor do FBI — uma que Mark Warner, o democrata de topo da comissão de serviços de informação do Senado, diz ser "ultrajante" e reminiscente do escândalo Watergate.

Lindsey Graham, um dos mais poderosos republicanos do Senado e em tempos um grande defensor de Trump, também já exigiu que ele se distancie das investigações em curso, referindo que uma questão como escutas e gravações de conversas sobre este assunto não deve ser alvo de "graçolas" e que o tweet do Presidente foi "inapropriado". "Se existem gravações destas conversas, elas têm de ser entregues" pelo governo às autoridades competentes, disse à NBC.