Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Democratas ameaçam boicotar votação do novo diretor do FBI

Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado

Alex Wong

Depois de ameaça velada de Donald Trump no Twitter, oposição e alguns legisladores do Partido Republicano estão a pressionar a administração para que revele se tem gravações de conversas com James Comey, o ex-diretor da agência federal que o Presidente despediu há uma semana

Vários legisladores norte-americanos estão a exigir ao Presidente Donald Trump que entregue ao Congresso quaisquer gravações ou registos de conversas mantidas por membros da administração com James Comey, o homem que até há uma semana dirigia o FBI e que estava a cargo de uma das investigações em curso às suspeitas de conluio entre a equipa de Trump e operativos ligados ao governo russo.

Este domingo, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, avisou que a destruição de potenciais gravações representará uma violação da lei, com o senador republicano Lindsey Graham, uma das principais figuras do partido no poder, a sublinhar que a Casa Branca tem de acabar com todas as dúvidas sobre se essas gravações realmente existem.

Os avisos surgiram depois de Trump ter recorrido ao Twitter para deixar uma aparente ameaça ao ex-diretor do FBI sobre a divulgação de registos de encontros mantidos por Comey com funcionários do governo e com o próprio Presidente antes de ter sido despedido. A administração ainda não confirmou nem desmentiu a existência dessas "gravações".

Citado pelos media norte-americanos, Schumer também sugeriu que os democratas do Senado podem recusar-se a avançar com o voto ao novo diretor do FBI enquanto não for nomeado um procurador especial para avançar com a investigação à alegada ingerência russa nas eleições presidenciais. O FBI está a cargo de uma das três investigações atualmente em curso a essas suspeitas e às alegadas ligações entre o Kremlin e a equipa de campanha de Trump.

O Presidente continua a desmentir tais ligações e, no documento formal enviado a Comey para o informar do seu despedimento, escreveu que o ex-diretor do FBI lhe assegurou "por três vezes" que ele não está sob investigação – um dado que não foi confirmado por qualquer das partes envolvidas nas investigações do FBI e das duas câmaras do Congresso.

Para justificar o despedimento, Trump acusou Comey de estar a fazer um mau trabalho, sobretudo no que toca ao caso do servidor privado usado por Hillary Clinton enquanto secretária de Estado no primeiro mandato de Barack Obama. Os democratas, contudo, acusam o Presidente de tentativa de interferência numa investigação em curso que tem nele um dos principais alvos – algo que, apontam especialistas, pode conduzir à destituição do atual Presidente.

À CNN, Schumer disse este domingo que se as gravações citadas por Trump existem então "o Presidente deve entregá-las imediatamente" às autoridades federais, deixando o aviso de que "destruí-las será uma violação da lei". Se "as gravações não existem", Trump "deve pedir desculpa tanto a Jim Comey como ao povo americano por enganá-los", acrescentou.

À NBC, o senador Lindsey Graham classificou o tweet de Trump como "inapropriado" e pediu ao Presidente que "se afaste e deixe a investigação seguir o seu curso". "Não se pode ser engraçadinho com gravações", criticou. "Se existem quaisquer gravações sobre esta conversa, elas têm de ser entregues" às autoridades competentes.

No sábado, Trump disse que o substituto de Comey – que precisa de obter uma maioria de votos no Senado para ocupar o cargo – pode ser nomeado até ao final desta semana, havendo neste momento 11 pessoas a serem consideradas e já em fase de entrevistas. Entre os potenciais sucessores de Comey à frente do FBI contam-se o diretor interino da agência, Andrew McCabe, que também está sob investigação, o juiz Michael Garcia, o senador republicano John Cornyn e a advogada Alice Fisher.