Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Ciberataque que atingiu 150 países deve servir de “chamada de atenção”

GETTY

"Mesmo que um novo ataque não se materialize esta segunda-feira, devemos antecipar um para breve", diz Becky Pinkard, da empresa de cibersegurança britânica Digital Shadows

O ataque com malware que atingiu mais de 200 mil pessoas em 150 países desde sexta-feira deve servir como "uma chamada de atenção" para os governos de todo o mundo, alerta a Microsoft num comunicado esta segunda-feira, no qual que responsabiliza os executivos nacionais por armazenarem dados em softwares vulneráveis que podem ser facilmente invadidos por hackers.

O último vírus, na raiz do ciberataque lançado na sexta-feira por fonte desconhecida, explora uma falha numa versão do Microsoft Windows que foi identificada pela e roubada à Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana. Com o regresso ao trabalho da maioria das pessoas esta segunda-feira, a polícia europeia (Europol), especialistas e governos temiam que o número de vítimas viesse a aumentar às primeiras horas desta manhã, mas para já ainda não disparou como previsto.

"Temos visto vulnerabilidades armazenadas pela CIA a aparecerem na WikiLeaks e agora esta vulnerabilidade roubada à NSA afetou clientes em todo o mundo", refere o presidente da Microsoft e chefe jurídico da gigante cibernética, Brad Smith, num comunicado citado pela BBC. "Um cenário equivalente com armas convencionais seria ver alguns dos mísseis Tomahawk do Exército dos EUA serem roubados. Os governos de todo o mundo devem olhar para este ataque como uma chamada de atenção."

De acordo com a Microsoft, muitas das empresas e organizações atingidas falharam ao não manterem o sistema operativo atualizado, o que permitiu a propagação do vírus. Um novo update de segurança do sistema Windows tinha sido lançado em março para dar resposta ao problema que esteve na base do ciberataque de sexta-feira, mas muitos utilizadores ainda não tinham procedido à atualização do software.

"À medida que os cibercriminosos vão ficando mais sofisticados, não existe simplesmente maneira de os clientes se protegerem contra ameaças desta natureza a menos que vão atualizando os seus sistemas", alerta Smith no comunicado.

Ao longo do fim de semana, muitas empresas tiveram especialistas a trabalharem nos seus sistemas internos para prevenir novas infeções; quando os sistemas informáticos são iniciados, o vírus toma controlo dos ficheiros dos utilizadores, que só serão desenvolvidos em troca do pagamento de um resgate (ransom) aos responsáveis pelo ataque.

Entre sexta-feira e domingo, a disseminação deste vírus cibernético foi decaindo mas os especialistas alertaram que isso poderia mudar com o início da nova semana de trabalho. Até ver, mais de 200 mil computadores foram afetados.

Na Coreia do Sul, onde a jornada de trabalho já começou, só foram detetados nove casos novos, de acordo com as autoridades do país, sem mais informações para já. Na Austrália, apenas três pequenas e médias empresas ficaram sem acesso aos seus sistemas esta segunda-feira. Já na Nova Zelândia, o governo citou um número pequeno de incidentes por confirmar que já estão a ser investigados.

AFP

Entretanto, o chefe da Europol explicou este domingo que o malware criado para exigir o pagamento de resgates pelos documentos roubados (ransomware) foi desenhado para permitir que "a infeção de um computador se espalhe rapidamente pelas redes" e que "é por isso que estamos a assistir ao aumento constante destes números".

Um investigador britânico de cibersegurança conhecido apenas como MalwareTech, que ajudou a limitar o espectro do ataque e que está já a ser aplaudido como um "herói acidental", previu ontem que "um novo ataque está a chegar, muito provavelmente esta segunda-feira" – isto depois de os hackers responsáveis terem libertado uma versão atualizada do vírus após as autoridades de inúmeros países terem encontrado uma forma de desacelerar a taxa de infeção nos seus computadores.

À AFP, Becky Pinkard, da empresa de cibersegurança britânica Digital Shadows, explica que é fácil para os hackers responsáveis ou para "autores de imitações" alterarem o código do vírus, pelo que se torna difícil proteger os computadores contra este malware. "Mesmo que um novo ataque não se materialize esta segunda-feira, devemos antecipar um para breve."

Entre as empresas e serviços afetados pelo ciberataque, até agora contam-se o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), a rede de transportes ferroviários da Alemanha Deutsche Bahn, a operadora de telecomunicações espanhola Telefónica, a fabricante francesa de automóveis Renault, a gigante norte-americana de distribuição FedEx e os sistemas informáticos do Ministério do Interior da Rússia.