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Ciberataque: Bruxelas diz que nenhuma instituição da UE foi afetada mas está atenta 

JOHN THYS / AFP / Getty Images

O executivo comunitário afirma que os ciberataques são uma “ameaça crescente” que exige uma “resposta coordenada e global”

A Comissão Europeia indicou esta segunda-feira que nenhuma instituição da União Europeia foi afetada pelo ciberataque da passada sexta-feira, mas garantiu que está a acompanhar "de muito perto" a situação, sublinhando a crescente ameaça que este género de ataques representa.

"A Comissão e o nosso comissário com a pasta da Segurança, Julian King, acompanharam de muito perto a situação desde sexta-feira à noite, quando uma série de organizações e empresas por todo o mundo foram atingidas por ciberataques. A Comissão não tem registo de que qualquer das instituições ou agências da UE tenha sido afetada por este ataque", afirmou esta segunda-feira em Bruxelas o porta-voz do executivo comunitário, Margaritis Schinas.

O porta-voz sublinhou que "o uso de ciberataques com fins criminosos é uma ameaça crescente que exige uma resposta coordenada e global por parte da UE e seus Estados-membros", pelo que todas as partes interessadas, "públicas ou privadas, devem assumir as suas responsabilidades muito a sério".

"A Comissão Europeia vai continuar a acompanhar muito atentamente a situação e está em permanente contacto com o centro de cibercrime europeu, na Europol, que está a trabalhar de perto com os serviços de resposta de emergência da Comissão, com os países afetados e com as unidades de cibercrime e parceiros-chave da indústria para mitigar as ameaças e prestar assistência às vítimas", acrescentou.

O porta-voz remeteu mais informação para terça-feira, quando o comissário Julian King der uma conferência de imprensa após a reunião do colégio de comissários agendada para Estrasburgo, à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu.

No domingo, o diretor da Europol, Rob Wainwright, revelou que o ciberataque de sexta-feira provocou 200 mil vítimas, a maioria empresas, em pelo menos 150 países, entre os quais Portugal.

"Estamos a realizar operações contra cerca de 200 ciberataques por ano, mas nunca tínhamos visto nada parecido", disse o chefe da Europol, numa entrevista ao canal britânico ITV, adiantando temer que o número de vítimas continue a aumentar "quando as pessoas voltarem ao trabalho na segunda-feira e ligarem os computadores".

Segundo o chefe da Europol, o ataque atingiu os alvos "de forma indiscriminada" e "espalhou-se muito rapidamente" e, por isso, a Europol receia que o número de vítimas continue a aumentar.
O ataque, lançado na sexta-feira, afetou pelo menos hospitais britânicos, o fabricante de automóveis francês Renault, o sistema bancário russo, o grupo norte-americano FedEx e universidades na Grécia e em Itália.

Em Portugal, a empresa de energia EDP cortou os acessos à Internet da sua rede para prevenir eventuais ataques informáticos e garantiu que não foi registado qualquer problema, já a Portugal Telecom alertou os seus clientes para o vírus perigoso ('malware') a circular na Internet, pedindo aos utilizadores que tenham cautela na navegação na rede e na abertura de anexos no 'email'.

A Polícia Judiciária está a acompanhar e a tentar perceber o alcance do ciberataque que tem como alvo empresas, segundo o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime da PJ.

O Organismo Europeu de polícia Europol anunciou no sábado que uma equipa do Centro Europeu sobre Cibercrime tinha sido "especialmente equipada para ajudar" na investigação internacional de modo a identificar os autores.

"É muito difícil identificar e localizar até mesmo os autores do ataque. Temos uma luta complicada com grupos de cibercrime cada vez mais sofisticados no uso de criptografia, a fim de esconder a sua atividade. A ameaça é crescente ", adiantou Rob Wainwright.