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Internacional

Xi Jiping promete 124 mil milhões na nova Rota da Seda

A China reforça-se como contraponto a nível mundial ao protecionismo de Donald Trump e da doutrina “America first”. Presidente chinês quer “ manter e desenvolver uma economia mundial aberta”, disse na abertura do fórum que está a decorrer em Pequim

O Presidente da China, Xi Jiping prometeu 124 mil milhões de dólares (cerca de €113 mil milhões) para projetos de infraestruturas no âmbito da nova Rota da Seda, uma iniciativa de Pequim para promover as relações comerciais na Ásia, Europa e África.

Xi Jinping fez o anúncio diante de líderes de 29 países durante o discurso de abertura do fórum de cooperação internacional “Uma Faixa, Uma Rota”, “versão simplificada de “Faixa Económica da Rota da Seda e da Rota Marítima da Seda para o Século XXI”, o projeto de investimento impulsionado pela China para reforçar a posição como centro comercial e financeiro da Ásia.

A China vai contribuir com 100.000 milhões de yuan (14.500 milhões de dólares ou 13.000 milhões de euros) adicionais para o Fundo da Rota da Seda - montado em 2014 para financiar projetos de infraestruturas - e providenciar ajuda, nos próximos três anos, no valor de 60.000 milhões de yuan (8.700 milhões de dólares ou 8.000 milhões de euros) a países em desenvolvimento e a organizações internacionais que participem na iniciativa.

Dois bancos chineses vão também oferecer empréstimos especiais de até 380.000 milhões de yuan (55.000 milhões de dólares ou 50.000 milhões de euros) para apoiar “Uma Faixa, Uma Rota”.

“Devemos construir uma plataforma aberta de cooperação e manter e desenvolver uma economia mundial aberta”, afirmou Xi, na abertura do fórum, onde Portugal se faz representar pelo secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira.

Isto porque, observou, “o isolamento leva ao atraso. A abertura é como a luta de uma borboleta para sair do seu casulo. Esta é acompanhada pelo sofrimento, mas essa dor cria uma nova vida”.

“A antiga rota da seda floresceu em tempos de paz, mas perdeu o seu vigor em tempos de guerra. A iniciativa das ‘novas rotas da seda’ requer um ambiente pacífico e estável”, realçou o líder chinês, insistindo que os “benefícios” “serão partilhados por todos”.

Ligar Ásia, África, Europa e até América
A iniciativa foca-se em países asiáticos, europeus e africanos, mas Xi garantiu que está aberta a todos e que a China não tem a intenção de criar um pequeno grupo prejudicial à estabilidade: “Todos os países, sejam da Ásia, Europa, África ou Américas, podem participar na iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’”, afirmou, indicando que a China espera “criar uma grande família de coexistência harmoniosa”.

“O que esperamos é alcançar um novo modelo de cooperação ‘win-win’”, ou seja, em que todos têm a ganhar, enfatizou.

Xi, que idealizou este plano internacional de infraestruturas durante uma visita oficial à Ásia Central em 2013, ambiciona com este projeto simbolicamente reavivar a antiga Rota da Seda, o corredor económico que uniu o Oriente o Ocidente.

No discurso que proferiu, de quase 45 minutos, o Presidente da China passou em revista o seu significado histórico, recordando que os comerciantes chineses, europeus e asiáticos encarnavam o “espírito da Humanidade”, através de uma rota que “trouxe prosperidade a estas regiões”, o qual se “transformou num grandioso património da civilização humana”.

Com o argumento de que “a história é a melhor professora”, o Presidente chinês conferiu os mesmos ideais a esta nova iniciativa, através da qual a construção de novas infraestruturas, que favoreçam a conectividade e o comércio, promova um crescimento global que “precisa de novos motores”.

Face às críticas de que a China procura criar uma esfera de influência geopolítica na Ásia e em África com esta iniciativa, Xi garantiu: “Não temos intenção de interferir nos assuntos de outros país, de exportar o nosso sistema social ou de impor a nossa vontade”.

Neste sentido, afirmou ainda que o projeto chinês “não tem a intenção de reinventar a roda”, mas antes pelo contrário, pois visa “complementar as estratégias de desenvolvimento dos países envolvidos ao potenciar as vantagens comparativas”.

Até agora, a iniciativa conquistou o apoio por parte de mais de uma centena de países e organizações internacionais.