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“Coquette” e “coquine”: eis Brigitte Macron

YOAN VALAT/GETTY

Com o novo Presidente, Emmanuel Macron, 39 anos, que tomou posse este domingo, a França volta a ter uma primeira-dama, depois do “interregno” François Hollande. Brigitte é “coquette” e, até, um pouco “coquine”, ou seja vaidosa e sexy. Veste Vuitton, tem 64 anos e é atacada com recurso a clichés sexistas. Este perfil foi publicado no Expresso Diário desta sexta-feira, 12 de maio

É verdade que pouca gente fala, em França, nos mesmos termos, do Presidente norte-americano, Donald Trump, e da sua mulher, Melania, que têm sensivelmente a mesma diferença de idades que Emmanuel Macron e a sua mulher, Brigitte, mas em sentido inverso.

Tanto um casal como outro colocaram a sua vida em comum na praça pública, com objetivos políticos e, no caso francês, foram os próprios serviços do novo chefe de Estado que forneceram às televisões e à imprensa cor de rosa vídeos e fotos do seu casamento, em 2007, da vida em família e dos três filhos e seis netos de Brigitte, todos adotados como seus por Emmanuel. Nesse aspeto, não podem queixar-se de devassa da vida privada.

Mas, neste momento, os ataques em França ao novo casal presidencial francês são imensos e atingem níveis dificilmente suportáveis por Macron. A nova primeira-dama é criticada por tudo e por nada, designadamente por gostar de se vestir “vaidosamente chique”, por vezes sexy, e com roupas de marca (até agora, por aparecer sobretudo em público com conjuntos emprestados pela casa Louis Vuitton). Alguns media chegaram mesmo a dizer que Brigitte, 24 anos e meio mais velha do que Emmanuel, é apenas a “cobertura” de uma outra relação “inconfessável”, do Presidente eleito.

Mas o máximo do sexismo em França - que, embora por vezes não o pareça, é um país profundamente machista onde frequentemente sobressaem as piadas de muito mau gosto - foi atingido pelo célebre semanário satírico “Charlie Hebdo”, no passado dia 10 de maio, quando publicou na capa um desenho mostrando Brigitte Macron grávida acompanhado pelo título: “Ele vai fazer milagres.” Para sublinhar a diabolização da sexualidade feminina, não se podia fazer mais do que fez “Charlie Hebdo” com essa edição.

YOAN VALAT/GETTY

A história de Brigitte Macron, que nasceu com o nome de Brigitte Trogneux, e de Emmanuel Macron é conhecida e já foi relatada, designadamente pelo Expresso. A diferença de idades entre ambos chama a atenção, sobretudo porque, é verdade, a mulher é mais velha do que ele, mas também porque está na praça pública com grande destaque, porque foi o atual Presidente francês que para aí a chamou alto e bom som num célebre discurso, durante a campanha eleitoral, em Lyon, em fevereiro de 2017.


Nesse comício, justificou a sua irreverência política, contra o presidente François Hollande e o primeiro-ministro Manuel Valls, deste modo: “Foram estes sentimentos, quando nos explicavam que isso não se fazia, que era preciso respeitar as regras, a ordem estabelecida, a disciplina, que nos fizeram ir procurar a felicidade noutro lado, foram portanto estes sentimentos, que nos fizeram, com Brigitte, amar-nos, querer, construir.”


Foi, com efeito, Emmanuel Macron que transformou a sua história de amor transgressivo entre um miúdo de 15-17 anos e uma professora num liceu privado, casada e mãe de três filhos, numa metáfora do seu combate para chegar vitorioso ao Eliseu.

O atual Presidente prometeu, aos 17 anos, casamento à professora de Francês e de Teatro, que tinha (e tem) a idade da sua mãe e era na altura casada com um banqueiro e herdeira de uma família que fizera fortuna na indústria do chocolate. Com essa idade, Emmanuel deixou o liceu católico, La Providence, de Amiens, na Picardia, onde ambos se conheceram, para continuar os estudos em grandes escolas de Paris. Continuaram no entanto a ver-se, como amantes, amiúde e anos a fio, por vezes em encontros clandestinos, com a cumplicidade da mãe e da avó de Emmanuel. Brigitte aceitou a transgressão, suportou a violenta censura social e da família, divorciou-se e casou-se com ele.

Agora, Brigitte quer ser uma primeira-dama como foram, antigamente, Carla Bruni, Bernadette Chirac ou Danielle Mitterrand, ou seja, “clássica”, com funções precisas de representação, ao lado do marido, e de ações sociais, designadamente no domínio da educação. Nada a ver com Valérie Trierweiller ou Julie Gayet, as companheiras do Presidente cessante, François Hollande, que nunca foi sequer casado.


O casal Macron, no Eliseu, será no entanto um caso bem à parte no Palácio mais famoso de França. Aparentemente, ambos são símbolos da paixão, do amor, da ambição e, sem dúvida, da transgressão e de uma certa autenticidade. Mas vão continuar a chamar a atenção porque ela é sem dúvida “coquette” e “coquine” e parece, como se diz regularmente em França, “mais jovem do que a idade que tem”.

Como escreveu uma jornalista inglesa, “a sua silhueta fina, elegante e atlética bem como a frescura do seu corte de cabelo, que envolve o pescoço e a cara, escondem todos os sinais de velhice”. Brigitte e Emmanuel vão continuar a chamar a atenção. Ninguém duvide.