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Internacional

Vitória na Renânia do Norte-Vestfália vai ditar quem será o próximo chanceler da Alemanha

Steffi Loos

Quem o diz são os analistas mas também Martin Schulz, o homem que abandonou os corredores do Parlamento Europeu para se candidatar contra Angela Merkel nas eleições federais. Para o candidato do SPD, a ida às urnas deste domingo num dos 16 estados da federação vai levantar o véu sobre quem triunfará em setembro

Angela Merkel sabe que a corrida eleitoral só acaba quando acabar, quando os milhões de eleitores forem manifestar-se nas urnas em setembro sobre quem querem que seja o próximo líder da Alemanha. Apesar das boas notícias — a vitória de Emmanuel Macron em França a 7 de maio e a vitória surpresa da sua União Democrata-Cristã (CDU) nas eleições regionais em Eslésvico-Holsácia no mesmo dia — a chanceler que, no outono, se candidata a um quarto mandato consecutivo não quer deixar nada entregue ao destino.

É por isso que, até domingo, vai participar não num nem em dois nem sequer em três comícios de campanha, mas sim em quatro, antes de os 13 milhões de eleitores do estado da Renânia do Norte-Vestfália irem às urnas nesse dia escolher o seu próximo governo regional. Para Martin Schulz, candidato a chanceler pelo Partido Social Democrata (SPD), a votação deste fim-de-semana vai ser decisiva: o partido que vencer no coração industrial da Alemanha será o provável vencedor das eleições federais a 24 de setembro.

Assim aponta esta quinta-feira a correspondente do “Guardian” em Berlim, quando faltam apenas quatro dias para os habitantes de Colónia, Düsseldorf, Leverkussen e todas as outras cidades do estado escolherem o seu próximo governo regional. É a última votação local a ter lugar antes das eleições gerais, depois de a CDU e o SPD terem governado em coligação nos últimos quatro anos.

Dentro de quatro meses, Merkel terá no recém-eleito líder do SPD o seu grande rival. Schulz abandonou a presidência do Parlamento Europeu em janeiro para concorrer contra a mulher que lidera a Alemanha desde 2005 e as sondagens continuam a prever uma corrida renhida. Até ao anúncio do social-democrata, Merkel esteve sempre à frente nas sondagens, mas o regresso de Schulz à Alemanha levou a um aumento de apoios ao SPD que, até há pouco tempo, ameaçavam acabar com os onze anos de poder da chanceler. Neste momento, aponta “The Guardian”, o chamado efeito-Schulz parece ter morrido e a taxa de popularidade do partido estagnou.

A “mulher mais poderosa do mundo”, assim definida pela revista “Forbes” este ano, quer aproveitar este facto para convencer os indecisos e os que até agora a apoiaram a darem-lhe os seus votos em setembro, depois de há um mês o seu partido ter derrotado o SPD por uma margem surpreendentemente grande no estado de Sarre e de, no passado domingo, ter voltado a destronar os rivais social-democratas em Eslésvico-Holsácia.

A importância atribuída à Renânia do Norte-Vestfália (RNV) não é desabida: com 18 milhões de habitantes, um quarto da população total da Alemanha, uma potencial derrota do SPD — o partido que esteve no poder nos últimos cinco anos em coligação com Os Verdes — será desastrosa e indicará que o tal “efeito Schulz” foi sol de pouca dura.

As últimas sondagens regionais mostram que a chamada 'aliança vermelha-verde' na RNV está prestes a ser chumbada nas urnas. O resultado mais provável, apontam analistas e observadores políticos, é uma vitória sem maioria da CDU e uma consequente coligação com o SPD — exatamente como o atual governo federal que Merkel lidera.

Neste momento, os inquéritos de opinião anteveem que seis partidos deverão eleger deputados para o parlamento regional em Düsseldorf, entre eles o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que também deverá entrar pela primeira vez no Bundestag (parlamento federal) em setembro.

A nível nacional, a sondagem mais recente do INA aponta 27% de apoios ao SPD (menos 1,5% em relação ao inquérito anterior) e 35% de apoios à CDU (mais um ponto percentual). O AfD angaria atualmente 10% dos votos (também uma subida de 1%), a mesma percentagem que é atribuída ao Die Linke (esquerda), a par de 7% para Os Verdes e outros 7% para o Partido Democrático Livre (FDP). Os números estão a levar os analistas a anteciparem uma coligação governativa entre a CDU, Os Verdes e o FDP.