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May e Guterres apelam a mais apoio à Somália

TONY KARUMBA/GETTY

O secretário-geral da ONU disse que 439.000 somalis correm risco de fome e que mais de seis milhões enfrentam uma "grave insegurança alimentar"

A primeira-ministra britânica, Theresa May, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelaram esta quinta-feira a um reforço do apoio à Somália afetada pela seca, tendo o segundo pedido mais 900 milhões de dólares de ajuda para 2017.

May e Guterres falavam numa conferência internacional em Londres, que visa estabelecer uma nova parceria entre a comunidade internacional e o país do Corno de África que enfrenta uma crise humanitária e uma revolta do grupo extremista islâmico al-Shabab.

“A Somália balança entre o perigo e o potencial (...). Aqui em Londres podemos fazer inclinar a balança para o lado da segurança”, disse Guterres.

O secretário-geral das Nações Unidas indicou que a estabilidade política melhorou na Somália, mas que os ganhos são frágeis em parte devido à “insegurança alimentar crescente”.

Guterres disse que 439.000 somalis correm risco de fome e que mais de seis milhões enfrentam uma “grave insegurança alimentar”.

No seu discurso de abertura, Theresa May afirmou que a conferência visa “construir um futuro mais próspero, estável e seguro para a população somali”, alertando para os riscos da “instabilidade para o conjunto do continente e do mundo”.

May considerou que a recente eleição do presidente somali, Mohamed Abdullahi Mohamed, oferece uma “janela de oportunidade crucial” e exortou a comunidade internacional a apoiar as reformas a realizar no país.

Mohamed Abdullahi Mohamed disse que “os três grandes inimigos da Somália” são “o terrorismo, a corrupção e a pobreza”, comprometendo-se a tomar medidas para “libertar o imenso potencial da população” somali, para que possa contribuir para o desenvolvimento do país.

O presidente somali anunciou que vai “consolidar o governo federal” e permitir aos eleitos do parlamento formarem partidos políticos.

Em relação à luta contra o terrorismo, declarou-se “confiante” na capacidade do país para “vencer os al-Shabab nos próximos anos”, adiantando que o “estabelecimento de uma administração territorial” permitirá tornar o país seguro.

O al-Shabab foi afastado de Mogadíscio em agosto de 2011 pela força da União Africana na Somália (AMISOM), destacada em 2007 para apoiar o frágil governo somali com 22.000 homens.

O grupo terrorista também perdeu a maioria dos seus bastiões, mas continua a controlar vastas zonas rurais no país e realiza operações de guerrilha e atentados suicidas, frequentemente na capital. Participam na conferência de Londres cerca de quatro dezenas de delegações de instituições como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Liga Árabe, assim como a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e o secretário da Defesa norte-americano, James Mattis.