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Internacional

Macron rejeita candidatura de Manuel Valls pelo seu partido às eleições legislativas

O ex-primeiro-ministro Valls (dta) preferiu apoiar o independente Macron (esq) em vez do candidato do seu Partido Socialista

PHILIPPE WOJAZER

Candidatura do ex-primeiro-ministro francês pelo partido República em Marcha, de Emmanuel Macron, foi rejeitada com o argumento de que Valls já desempenhou três mandatos parlamentares, não cumprindo, portanto, um dos requisitos exigidos pelo partido

Helena Bento

Jornalista

A candidatura do ex-primeiro-ministro francês Manuel Valls pelo República em Marcha às legislativas de junho foi rejeitada por Emmanuel Macron, líder do partido. A notícia foi avançada pela Associated Press.

Segundo a agência de notícias francesa, que cita Richard Ferrand, secretário do partido de Macron, a candidatura de Valls foi recusada uma vez que o ex-primeiro-ministro não cumpre um dos critérios do partido. Em causa, está o facto de já ter cumprido três mandatos parlamentares, quando um dos principais objetivos do partido é apresentar “novos rostos políticos”. O secretário garantiu, porém, que o República em Marcha não irá apresentar um candidato no círculo onde Valls pretende avançar com uma candidatura independente (Evry, no sul de Paris). “Num momento em que queremos reunir, não queremos humilhar, rejeitar. Nesta fase não investimos o interessado mas não apresentaremos um candidato contra ele”, justificou Richard Ferrand.

Valls anunciou esta semana a sua candidatura pelo partido de Macron, o recém-eleito Presidente de França. “Eu serei o candidato da maioria presidencial e desejo juntar-me a este movimento. Porque eu sou um republicano, porque eu sou um homem de esquerda, porque eu ainda sou socialista, porque eu não vou negar 30 anos de compromisso político, porque também já tive essa responsabilidade, e porque sei que é difícil governar a França”, disse então Valls em entrevista à estação de rádio RTL.

Já na quarta-feira, Jean-Paul Delevoye afirmou que o ex-primeiro-ministro francês não cumpre os “requisitos para que seja aceite o seu pedido de investidura”. O responsável pelas candidaturas do movimento fundado pelo Presidente eleito francês explicou que, além de Valls não estar inscrito no partido pelo qual pretende candidatar-se às legislativas de junho, “não é forçosamente oportuno para o movimento Em Marcha integrar este candidato, seja qual for o seu passado”. Delevoye, admitiu, porém, admirar a “coragem política” que o ex-primeiro-ministro francês revelou ao cortar os laços com o Partido Socialistas francês.

De facto, na corrida às eleições presidenciais, o ex-primeiro-ministro do Governo Hollande apoiou Emmanuel Macron em vez do candidato do PS, Benoît Hamon, alegando que Macron era o único candidato capaz de vencer a candidata da extrema-direita Marine Le Pen.

O partido República em Marcha apresentou já candidatos a 428 círculos eleitorais de um total de 577 existentes. Nos próximos dias, serão anunciados mais nomes.