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Lula nega ter recebido subornos e diz querer ser julgado pelo povo

Dilma Rousseff e Lula da Silva falaram perante dezenas de milhares de apoiantes em Curitiba

FERNANDO BIZERRA JR/EPA

O ex-Presidente saiu da sua primeira audiência em tribunal diretamente para uma manifestação em seu apoio, que contou com a participação de dezenas de milhares de pessoas, e onde reafirmou a sua intenção de se recandidatar em 2018

“Se um dia eu tiver cometido um erro, não quero ser julgado só pela Justiça, quero ser julgado pelo povo brasileiro”, afirmou Lula da Silva, perante dezenas de milhares de apoiantes que se concentraram na cidade de Curitiba, logo após ter saído da sua primeira audiência em tribunal perante o juiz federal Sérgio Moro, no âmbito da operação Lava Jato, que se prolongou por mais de cinco horas.

A procuradoria acusa Lula de ter participado num esquema de desvio de fundos da petrolífera estatal Petrobras, através do qual teria supostamente beneficiado de uma verba de 3,7 milhões de reais (cerca de um milhão de euros), da construtora OAS, parte dos quais terão sido investidos em obras efetuadas num apartamento de três assoalhadas em São Paulo.

O ex-Presidente respondeu ao magistrado que nunca recebeu subornos da OAS e que nunca teve intenção de adquirir o imóvel, atribuindo as decisões sobre o mesmo à ex-primeira-dama Maria Letícia, que faleceu em fevereiro em sequência de um AVC.

“Fui ver o apartamento, coloquei-lhe 500 defeitos, voltei e nunca mais conversei com Léo (Pinheiro, ex-presidente da OAS) sobre o apartamento”, declarou na sessão que decorreu à porta-fechada, mas que foi divulgada por vídeo.

Sérgio Moro questionou então Lula sobre a visita feita ao imóvel pela sua mulher em 2014, quando ele já teria supostamente desistido da compra. “Eu não sabia que tinha existido essa visita. Não sei se o senhor tem mulher, mas nem sempre ela pergunta para a gente o que vai fazer”, respondeu o ex-Presidente.

Afirmando não haverem provas contra si no processo, Lula relacionou mesmo a morte da sua mulher com “a pressão que ela sofreu”, referindo-se à divulgação das conversas da sua família em 2016.

Relativamente à acusação de que a OAS pagou 1,3 milhões de reais (cerca de 370 mil euros) pelo armazenamento de artigos que recebeu como presentes durante as suas presidências, disse que não estava a par do tamanho desse acervo nem do envolvimento da construtora no seu armazenamento.

O ex-chefe de Estado afirmou estar a ser alvo de uma “farsa” considerando o caso contra si como “ilegítimo” e acusando ainda os media de estarem a efetuar uma campanha para o “criminalizar” e “demonizar”.

“A imprensa não tem nada a ver com este caso (…), o julgamento será feito com base na lei e exclusivamente com as provas apresentadas”, frisou por seu turno o juiz Sérgio Moro.

Atualmente com 71 anos, caso seja condenado Lula arrisca a cumprir pena de prisão. Em tribunal disse que já tinha decidido deixar a sua carreira política de lado, mas que reconsiderou devido ao caso Lava Jato. “Depois de tudo o que está acontecendo, estou dizendo alto e em bom som que vou querer ser candidato em 2018.”

Ladeado pela ex-presidente Dilma Rousseff, Lula afirmaria depois, perante os apoiantes que se concentraram na Praça Santos Andrade, em Curitiba, que irá a “quantas audiências forem necessárias” para provar a sua inocência, reafirmando ao mesmo tempo o seu compromisso para com o povo brasileiro: “Estou vivo e estou me preparando para voltar a ser candidato a Presidente deste país. Nunca tive vontade como tenho agora, vontade de fazer mais, fazer mais e provar que se a elite não tem talento para consertar esse país, um metalúrgico tem”.