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Internacional

EUA vão proibir computadores nas cabines de voos de e para a Europa

O ativista do Kuwait Thamer al-Dakheel Bourashed fotografado em março a guardar o seu portátil na bagagem de porão antes de embarcar para os EUA

YASSER AL-ZAYYAT

A Reuters avança que “é provável que a administração Trump” estenda a proibição aplicada no final de fevereiro, e que até agora contempla todos os equipamentos eletrónicos maiores que um telemóvel em voos de e para nove países de maioria muçulmana

É provável que a administração Trump anuncie em breve a proibição de computadores nas cabines de voos de e para a Europa, alargando a medida anunciada em fevereiro e que, para já, se aplica a todos os equipamentos maiores que um telemóvel nas cabines em voos de e para dez países de maioria muçulmana. Ainda não se sabe se, no caso dos voos europeus, a proibição vai também abranger tablets e outros equipamentos para além de portáteis.

A notícia foi avançada na quarta-feira pela Reuters, com base em informações avançadas por “funcionários com conhecimento da matéria” sob anonimato, que dizem que a medida está a ser estudada mas que, para já, ainda continua a haver preocupações com o facto de as baterias de lítio destes equipamentos eletrónicos poderem explodir no porão, onde é praticamente impossível apagar um potencial incêndio.

Questionado pelo site “Daily Beast”, o Departamento de Segurança Nacional (DSN) disse ontem que “nenhuma decisão final foi ainda tomada sobre a expansão das restrições a aparelhos eletrónicos grandes nas cabines dos aviões”. “Contudo”, é avançado no mesmo comunicado, essa possibilidade “está a ser considerada” e o DSN “continua a avaliar as ameaças” e “vai fazer as alterações necessárias para garantir a segurança dos viajantes”.

Em meados de fevereiro, a administração norte-americana aplicou uma medida que obriga os passageiros de voos de nove companhias aéreas da Jordânia, Egito, Turquia, Arábia Saudita, Kuwait, Marrocos, Qatar e Emirados Árabes Unidos a despacharem todos os equipamentos maiores que telemóveis com a bagagem de porão em voos de e para os Estados Unidos.

À data, o DSN argumentou que a proibição é necessária por causa de pistas recolhidas pelas secretas no terreno sobre planos do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) para traficar explosivos escondidos em aparelhos eletrónicos transportados em aviões que partem para aeroportos norte-americanos.

Na altura, os funcionários do Governo não chegaram a explicar qual é a diferença de ter aparelhos armadilhados no porão por oposição às cabines de voo. “A justificação dada prende-se com questões de segurança, embora isso soe dúbio”, escreveu então o jornalista Daniel Gross, antes de as fontes oficiais citarem uma ameaça específica do Daesh. “Se os computadores são perigosos dentro da cabine de voo, porque é que não são perigosos no porão? Entretanto, a lista exclui aeroportos em sítios como a Venezuela, um país sobre o qual o Governo dos EUA acabou de emitir novos avisos aos viajantes.”

No “Washington Post”, foi sugerido nesse mês que a medida — que agora pode vir a abranger voos europeus — parece ter mais a ver com políticas comerciais vindas de um Presidente protecionista do que com ameaças à segurança dos EUA. “Várias das companhias aéreas em questão ou são empresas estatais ou gozam de algum tipo de apoio dos seus governos que põem as companhias aéreas norte-americanas em desvantagem”, explicaram os jornalistas Henry Farrell e Abraham Newman. “Por outras palavras, este passo pode ser uma extensão do decreto anti-imigração de Trump, por duas vezes frustrado, mas também pode ser um avanço da sua política protecionista de trocas. Mas acima disso, a proibição é o último de uma série de esforços da administração Trump em avançar com um certo tipo de guerra de classes – a guerra contra a classe de empresários.”