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Sobrinha de Marine Le Pen abandona Frente Nacional e faz pausa na política

Patrick Aventurier/GETTY

Aos 27 anos, Marion Maréchal-Le Pen diz que quer abraçar outros desafios e dedicar-se à filha, antes de retomar a vida política

Dois dias após a derrota de Marine Le Pen nas eleições presidenciais francesas, a sobrinha da líder da Frente Nacional e deputada pelo partido de extrema-direita anunciou que vai abandonar a vida política. Marion Maréchal-Le Pen justifica a decisão com “motivos pessoais e políticos”.

Numa carta publicada ontem em parte e esta quarta-feira na íntegra no jornal “Le Dauphine Libéré”, a deputada eleita pelo distrito de Vaucluse explica que pretende dedicar mais tempo à filha e ao universo empresarial. “Eu realmente sinto a falta da minha menina nos seus primeiros anos tão importantes. Ela também sentiu terrivelmente a minha falta. É essencial que eu possa dedicar-lhe mais tempo”, escreveu Marion Maréchal-Le Pen.

A deputada da Frente Nacional disse que nunca desistiu na vida civil, mas que este afastamento da política também não será definitivo. “Eu amo o mundo dos negócios, eu nunca deixei de defendê-lo durante o meu mandato e agora desejo trabalhar. Mas eu definitivamente não vou desistir da luta política. O amor ao meu país está no meu coração e eu nunca poderei ficar indiferente ao sofrimento dos meus compatriotas”, acrescentou.

Segundo Marion Maréchal-Le Pen, os políticos devem abraçar a causa de forma “livre e desinteressada”, negando a todo o custo manter o seu “estatuto e benefícios.” E para alcançar o sucesso na política, defende a deputada da Frente Nacional, é preciso beneficiar de outras experiências profissionais ao longo da vida.

Aos 27 anos, a neta do fundador da Frente Nacional Jean-Marie Le Pen considera que tem muito tempo para abraçar outros desafios antes de regressar à política.

A líder do partido já reagiu ao anúncio de Marion Maréchal-Le Pen, afirmando que lamenta a decisão da sobrinha, mas que compreende enquanto mãe. Recorde-se que Marion Maréchal-Le Pen discordou por diversas vezes das opiniões da tia.

O centrista Emmanuel Macron venceu no domingo a segunda volta das presidenciais francesas, com 66,10% dos votos, contra 33,90% da candidata de extrema-direita Marine le Pen.

Na altura, Marion Maréchal-Le Pen admitiu que a vitória de Macron foi uma desilusão, mas sublinhou o “resultado histórico” da Frente Nacional, que deverá ser alvo de renovação no futuro. A líder da FT prometeu uma “transformação profunda” do partido.