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Expresso

Internacional

Presidente eleito da Coreia do Sul estende a mão a Pyongyang

Jean Chung

Vitória do liberal Moon Jae-in nas eleições antecipadas pode pôr Seul em rota de colisão com a administração Trump

O novo líder da Coreia do Sul foi investido esta terça-feira, após ter vencido as eleições presidenciais antecipadas, sob promessas de melhorar o desempenho económico da quarta maior economia da Ásia e as relações com o Norte. No seu discurso de tomada de posse, o liberal Moon Jae-in disse estar disposto a visitar Pyongyang "nas circunstâncias certas", num passo conciliatório que pode vir a pôr em causa as relações de Seul com os Estados Unidos de Donald Trump.

"Vou fazer todos os possíveis para construir a paz na península coreana", prometeu a partir da Assembleia Nacional. "Se for preciso, viajo até Washington imediatamente e também vou a Pequim e a Tóquio e até a Pyongyang, nas circunstâncias certas", acrescentou. Disse ainda que quer "negociações sérias" com os Estados Unidos e com a China sobre o controverso sistema antimísseis, o THAAD, que os EUA estão a instalar no território sul-coreano contra a vontade de Pequim.

Moon, advogado de direitos humanos e filho de refugiados norte-coreanos, é conhecido pelos seus ideais liberais e fez campanha pela retoma do diálogo com o Norte, numa altura em que as tensões na península continuam a aumentar, com Washington e Pyongyang numa contínua troca de ameaças por causa dos programas nuclear e de mísseis que o regime de Kim Jong-un tem estado a desenvolver desde 2006.

Depois de anunciados os resultados das eleições desta terça-feira, antecipadas pela destituição de Park Geun-hye por alegado abuso de poder, Moon também prometeu unir os sul-coreanos para que possam recuperar do escândalo de corrupção que levou ao afastamento da ex-Presidente.

Para já, a Coreia do Norte ainda não reagiu oficialmente à vitória de Moon nem às suas promessas, mas antes da ida às urnas editoriais os jornais do regime tinham deixado nas entrelinhas que era ele o candidato preferido de Kim.

Membro do Partido Democrático, o liberal de 64 anos foi um dos grandes críticos dos dois anteriores governos conservadores, por causa da sua posição dura face a Pyongyang e por não terem impedido que o país a norte avançasse com os seus programas de armamento.

Desde que a Guerra da Coreia terminou em 1953, com a assinatura de um armistício, só houve duas cimeiras em que os líderes dos dois países da Península Coreana se encontraram pessoalmente, ambas na capital norte-coreana. Em 2007, enquanto conselheiro do então Presidente Roh Moo-hyun, foi Moon quem preparou o segundo desses encontros.

No rescaldo da vitória do liberal, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, deu os parabéns a Moon e disse que a administração Trump está ansiosa por continuar a "reforçar a aliança" com a Coreia do Sul e a "aprofundar esta amizade e parceria contínuas".

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse que os países enfrentam desafios comuns "encabeçados pelas respostas à questão da Coreia do Norte" e sublinhou que ambos "podem contribuir ainda mais para a paz e a prosperidade da região ao trabalharem em conjunto".

Citado pela agência Xinhua, o Presidente chinês, Xi Jinping, disse por sua vez que dá "sempre muita importância à relação entre a China e a Coreia do Sul" e acrescentou que está "disposto a trabalhar de forma diligente" com Moon, para garantir que os dois países beneficiam de boas relações.

Moon foi eleito Presidente com 41,4% dos votos, contra 25,5% para o candidato conservador Hong Joon-pyo e 21,4% para o centrista Ahn Cheol-soo.