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Trump foi avisado que o seu conselheiro de segurança podia ser chantageado pela Rússia

Michael Flynn acabaria por abandonar as suas funções na Casa Branca a 13 de fevereiro

reuters

Há novas revelações sobre o caso de Michael Flynn, conselheiro de segurança do Presidente dos EUA, que foi afastado após ter mentido sobre os seus contactos com a Rússia. No encontro mantido com Obama dois dias depois da eleição, Trump foi logo aconselhado por este a não confiar em Flynn. Depois disso, a ex-procuradora geral também avisou a Casa Branca do risco de chantagem

A ex-procuradora geral dos EUA Sally Yates revelou esta segunda-feira que a 27 de janeiro advertiu a Casa Branca sobre a posição de vulnerabilidade em que o então conselheiro de segurança Michael Fynn se havia colocado relativamente ao regime de Moscovo, que facilmente poderia chantageá-lo.

Em causa estava o facto de Flynn ter mentido quando garantiu ao vice-presidente norte-americano Mike Pence, e a outros altos responsáveis do executivo de Donald Trump, que não tinha falado sobre as sanções impostas pela administração Obama a funcionários dos serviços de informação russos, pela sua alegada ingerência nas eleições presidenciais de 2016, no encontro que mantivera com o embaixador russo nos Estados Unidos, Sergey Kislyak.

Falando esta segunda-feira perante um subcomité judiciário do Senado, Sally Yates revelou ter chamado a atenção dos responsáveis da Casa Branca de que a Rússia deveria ter provas de que Flynn mentira, o que o colocava numa posição de vulnerabilidade. “Frisando o óbvio, vocês não querem o vosso conselheiro de segurança nacional vulnerável face aos russos”, declarou.

Yates foi procuradora-geral até ter sido afastada, no final de janeiro, por se ter recusado a cumprir a ordem de Trump impedir a entrada nos Estados Unidos de refugiados e de cidadãos de sete países de maioria islâmica.

Flynn acabaria por abandonar as suas funções na Casa Branca a 13 de fevereiro, após terem sido divulgadas pela imprensa informações sobre a sua conversa com o embaixador russo.

Esta segunda-feira, foi confirmado pela Casa Branca que logo no encontro que Barack Obama teve com Donald Trump, dois dias depois da eleição deste, aconselhou o seu sucessor a não nomear Flynn como conselheiro de segurança nacional. Em 2014, a administração Obama afastara Fynn da direção da Agência de Informação de Defesa, justificando a decisão pela má gestão e pelo seu carácter exaltado.

O porta-voz da Casa Branca Sean Spicer confirmou a advertência feita por Obama, mas procurou relativizar esse facto afirmando que o Presidente cessante fez saber que "não era exatamente um adepto do general Flynn". Ora, isso não era uma novidade pois sabia-se das criticas do general Flynn à estratégia militar da administração Obama, nomeadamente no combate ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh).